BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘ficou chocado com a agressividade’’ dos manifestantes que o vaiaram na terça-feira na fronteira entre Santana do Livramento (RS) e Rivera (Uruguai) ‘‘e atiraram ovos, pedras e paus’’ contra a comitiva presidencial, ‘‘na presença do presidente uruguaio, Júlio Sanguinetti’’. A afirmação foi feita ontem pelo porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral.
O porta-voz afirmou que os manifestantes, ‘‘com bandeiras do PT, colocaram em risco a segurança das delegações do Brasil e do Uruguai’’. Ele cobrou uma explicação: ‘‘O PT deve um esclarecimento à sociedade sobre seu entendimento do funcionamento da democracia’’. Segundo Amaral, o partido deve dizer se ‘‘democracia é um diálogo dentro da diferença ou se endossa manifestações como a que ocorreu na fronteira’’. Caso não aceite e não endosse essa atitude, disse o porta-voz, ‘‘é preciso que condene esse tipo de manifestação’’.
De acordo com o porta-voz, a primeira-dama Ruth Cardoso ‘‘só não foi ferida por uma pedra porque sua segurança interceptou a pedra’’ e um agente ficou com a mão ferida. Mesmo assim, destacou Amaral, está mantido o convite ao presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, para uma audiência com Fernando Henrique. ‘‘O presidente continua aguardando uma resposta’’, insistiu Amaral, lembrando que Lula foi procurado pelo chefe de gabinete do presidente, José Lucena.
Rio A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) - um símbolo do partido desde 82, quando se elegeu vereadora, apesar de ser mulher, negra e pobre - atravessa um momento político difícil. As bases petistas do Rio rejeitam seu nome para o governo do Estado em 98, embora reconheçam sua força entre as camadas populares. ‘‘Ela representa o PT meio paralisado e indeciso, que não enfrenta o governo de Fernando Henrique Cardoso’’, disse o secretário-geral da executiva regional do PT, no Rio, Flávio Loureiro.
A oposição à possível candidatura de Benedita se estende às principais estrelas do PT local - o deputado federal Milton Temer, o ex-vereador Chico Alencar e o ex-deputado federal Vladimir Palmeira. Amanhã eles lançarão documento no Sindicato dos Engenheiros do Rio exigindo do PT uma ação mais nítida contra a política nacional do PSDB e PFL. ‘‘A Benedita precisa calçar as sandálias da humildade, ela adotou uma posição personalista’’, avaliou Alencar, que teve 642 mil votos na eleição para prefeito do Rio em 96.
De acordo com o ex-vereador, há militantes do PT que defendem até a expulsão da senadora. ‘‘Mas sou contrário a essa medida, reconheço que ela tem importância dentro do partido.’ Para Loureiro, Benedita errou ao acreditar que poderia atrair o PSDB para isolar o PFL na base de sustentação de Fernando Henrique. ‘‘Ela não entendeu que o presidente é prisioneiro da lógica que ele construiu com o apoio desses dois partidos’’, disse o secretário do PT.

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