Cardoso cobra o PT por agressão na fronteira
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso ficou chocado com a agressividade dos manifestantes que o vaiaram na terça-feira na fronteira entre Santana do Livramento (RS) e Rivera (Uruguai) e atiraram ovos, pedras e paus contra a comitiva presidencial, na presença do presidente uruguaio, Júlio Sanguinetti. A afirmação foi feita ontem pelo porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral.
O porta-voz afirmou que os manifestantes, com bandeiras do PT, colocaram em risco a segurança das delegações do Brasil e do Uruguai. Ele cobrou uma explicação: O PT deve um esclarecimento à sociedade sobre seu entendimento do funcionamento da democracia. Segundo Amaral, o partido deve dizer se democracia é um diálogo dentro da diferença ou se endossa manifestações como a que ocorreu na fronteira. Caso não aceite e não endosse essa atitude, disse o porta-voz, é preciso que condene esse tipo de manifestação.
De acordo com o porta-voz, a primeira-dama Ruth Cardoso só não foi ferida por uma pedra porque sua segurança interceptou a pedra e um agente ficou com a mão ferida. Mesmo assim, destacou Amaral, está mantido o convite ao presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, para uma audiência com Fernando Henrique. O presidente continua aguardando uma resposta, insistiu Amaral, lembrando que Lula foi procurado pelo chefe de gabinete do presidente, José Lucena.
Rio A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) - um símbolo do partido desde 82, quando se elegeu vereadora, apesar de ser mulher, negra e pobre - atravessa um momento político difícil. As bases petistas do Rio rejeitam seu nome para o governo do Estado em 98, embora reconheçam sua força entre as camadas populares. Ela representa o PT meio paralisado e indeciso, que não enfrenta o governo de Fernando Henrique Cardoso, disse o secretário-geral da executiva regional do PT, no Rio, Flávio Loureiro.
A oposição à possível candidatura de Benedita se estende às principais estrelas do PT local - o deputado federal Milton Temer, o ex-vereador Chico Alencar e o ex-deputado federal Vladimir Palmeira. Amanhã eles lançarão documento no Sindicato dos Engenheiros do Rio exigindo do PT uma ação mais nítida contra a política nacional do PSDB e PFL. A Benedita precisa calçar as sandálias da humildade, ela adotou uma posição personalista, avaliou Alencar, que teve 642 mil votos na eleição para prefeito do Rio em 96.
De acordo com o ex-vereador, há militantes do PT que defendem até a expulsão da senadora. Mas sou contrário a essa medida, reconheço que ela tem importância dentro do partido. Para Loureiro, Benedita errou ao acreditar que poderia atrair o PSDB para isolar o PFL na base de sustentação de Fernando Henrique. Ela não entendeu que o presidente é prisioneiro da lógica que ele construiu com o apoio desses dois partidos, disse o secretário do PT.


