Cardoso cobra conclusão das reformas
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quinta-feira, 23 de abril de 1998
Agência Estado 
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DescansoDona Ruth e FHC deixam Palácio Alvorada: presidente vai descansar em sua fazenda em MinasO presidente Fernando Henrique Cardoso reunirá ministros de Estado e líderes dos partidos aliados na terça-feira e fará um pronunciamento em defesa da conclusão das reformas. O presidente decidiu ampliar a reunião de líderes para fazer um chamamento público, mostrando a importância das reformas, contou ontem o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), depois de conversar por telefone com Fernando Henrique.
Abalados pelas mortes do ministro tucano das Comunicações, Sérgio Motta, e do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), PSDB e PFL estão mobilizando as bancadas para aprovar a reforma da Previdência na próxima semana, em homenagem aos dois.
Luís Eduardo era o líder das reformas e vamos continuar sua luta, mobilizando o PFL para votá-las, anunciou o presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen. Foi o ex-líder do governo na Câmara quem começou a articular a votação da reforma da Previdência nos dias 28 e 29. Temos de fazer um esforço de mobilização e concluir logo as votações em homenagem ao Serjão, propôs Luís Eduardo ao relator da emenda, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), durante o velório de Motta, na segunda-feira. Agora, Fernando Henrique e os líderes do PFL e PSDB querem encerrar o primeiro turno de votação da emenda na próxima semana, numa homenagem dupla ao ministro e ao líder.
O líder pefelista na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), disse que a mobilização da bancada começou ontem mesmo, atendendo aos pedidos do presidente. Ele está otimista quanto aos resultados, mas considera imprescindível que Fernando Henrique assuma o comando da articulação. Com o charme e a liderança do presidente, haveremos de concluir o primeiro turno da previdência na semana que vem, observou, ao lembrar que o ministro da Previdência, Waldeck Ornellas, também entrou de corpo e alma na articulação.
De volta a Brasília depois da viagem à Alemanha, em missão oficial, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), assumiu o discurso em defesa da votação rápida das reformas, depois de uma conversa com Fernando Henrique. O calendário será mantido como o Luís Eduardo queria, até numa homenagem a ele, disse Temer, ao lamentar não ter dado tempo de se despedir do amigo. Temer e Oliveira apostam que a idéia da homenagem dupla, com a articulação de Fernando Henrique, vai sensibilizar a Câmara. Mas os aliados dão sinais de que não será tarefa fácil.
Não existe homenagem nisto; existe respeito à morte, mas é só, contestou ontem o líder do PTB na Câmara, Paulo Heslander (MG). O petebista avaliou que o governo perdeu uma peça vital com a morte do líder e que nem mesmo o presidente será capaz de suprir a falta dele porque não está dentro do Congresso nem tem tempo disponível para isto. Se vai sensibilizar, eu não sei, mas temos responsabilidade diante do País e está tudo parado há 40 dias, rebateu Madeira.
Adversário ferrenho da reforma previdenciária, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) acusa o governo de apelar para a emoção com o objetivo de tentar driblar as resistências dentro da própria base. Está cheio de carpideira nesse governo, criticou, comparando a estratégia da homenagem à contratação de mulheres (carpideiras) para chorar nos enterros, no interior do País.


