Cardoso cobra aprovação de reformas
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem ao Congresso a aprovação das reformas administrativa, previdenciária e tributária, em mensagem de abertura dos trabalhos legislativos de 97. De acordo com o presidente, o déficit operacional de 1996 ficou entre 4% e 4,5 % do Produto Interno Bruto (PIB). As principais causas do desequilíbrio, disse, foram os gastos da União com a Previdência e os gastos de pessoal dos Estados e municípios.
Em tom semelhante, o presidente do Senado e do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), pregou a necessidade de continuar as reformas do Estado. Precisamos de um Estado ágil, eficiente, e daí a necessidade urgente de se aprovar as reformas indispensáveis ao bom funcionamento da máquina estatal, livre do corporativismo que emperra a ação governamental e atentos à era de globalização que, queiramos ou não, o mundo vive. Para ACM, a votação das reformas será um ato de patriotismo do Congresso.
Na mensagem enviada ao Congresso por intermédio do ministro-chefe do Gabinete Civil, Clóvis Carvalho, Fernando Henrique propôs até a ordem de votação: primeiro, a reforma administrativa; depois, a da Previdência; em seguida, a tributária. O presidente argumentou que é preciso tornar claro para governo, parlamentares e a sociedade que não estão sendo suprimidos direitos. Procura-se, segundo ele, garanti-los a longo prazo, em condições de igualdade, para todos os brasileiros: servidores públicos e contribuintes, trabalhadores ativos e inativos, aposentados do setor público e do setor privado.
O presidente sugeriu que a partir dos debates e das lições tiradas da tramitação das emendas na Câmara e no Senado busque-se o ponto de equilíbrio. Talvez nos surpreendamos ao verificar que a compreensão da própria sociedade evoluiu nesta matéria e, tal como nas mudanças da ordem econômica, aquilo que há pouco tempo despertava controvérsias apaixonadas tornou-se assimilável. Fernando Henrique pediu firmeza ao Congresso, sem se deixar paralisar pela incompreensão eventual daqueles que preferem agarrar-se como náufragos aos destroços de privilégios insustentáveis.
A sessão de retomada dos trabalhos do Congresso foi solene, com tiros de canhão, desfile de soldados dos Dragões da Independência e a presença de muitos ministros. Entre eles o da Fazenda, Pedro Malan, o da Previdência, Reinhold Stephanes, o da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, o do Trabalho, Paulo Paiva, o das Comunicações, Sérgio Motta, o da Educação, Paulo Renato, o dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e o de Assuntos Fundiários, Raul Jungman.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, lamentou o tempo perdido pelo País na área da informática, por imposição do extinto Conselho Nacional de Informática (Conin). Segundo o senador, o Conin manteve privilégios para alguns e causou enormes prejuízos para os brasileiros e para a Nação. ACM disse ainda que alguns tentam repetir os erros do passado. A visão equivocada não era de um ou de mais partidos políticos, mas de segmentos da sociedade, derrotados no julgamento popular, que não querem perceber que o mundo mudou.
Na mensagem ao Congresso o presidente Fernando Henrique falou ainda sobre a desindexação e a distribuição de renda, o crescimento econômico, o novo ciclo da industrialização, os caminhos para o desenvolvimento, os avanços na área social, a redução da mortalidade infantil, a melhora na saúde pública, a municipalização do Sistema Único de Saúde (SUS), melhorias na educação básica, aplicação dos recursos da assistência social, reforma agrária e apoio à reciclagem dos trabalhadores.


