Cardoso ataca oposição
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Agência Estado de Brasília 
Agência Estado
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PedradaCardoso abraça Íris Rezende: recado duro à oposição no CongressoO presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou ontem a cerimônia de posse dos ministros da Justiça e dos Transportes para responder às críticas que tem recebido. Ele atacou as vozes mais estridentes das oposições que querem paralisar o Congresso e agradeceu ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), pela tranquilidade como conduziu a aprovação da reeleição na quarta-feira.
Advertiu aos que jogam pedras, paus e coquetéis molotov, dizendo que são argumentos tão pouco válidos quanto as baionetas, só que menos poderosos. Referindo-se às manifestações hostis de rua e invasão de prédios públicos, declarou que o País cansou desses abusos e que usará da sua autoridade para reprimi-las. Não faltarei ao meu dever, disse.
Sob aplausos dos 2,5 mil convidados, o presidente mencionou a denúncia de compra de votos para aprovar a reeleição prometendo demitir membros do governo que estiverem envolvidos no episódio.
Na presença do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, citado no escândalo, o presidente atacou os que acusam seu governo de compra de votos para aprovar a reeleição. Disse que são essas vozes mais estridentes das oposições que se aproveitam da falta de decoro de uns poucos parlamentares para paralisar o Congresso e o governo, com suas suspeitas e insinuações. Segundo ele, qualquer suspeita de corrupção deve ser investigada a fundo e, se comprovada, tanto corruptos quanto corruptores devem ser punidos.
O presidente afirmou não acreditar no envolvimento de integrantes do governo no escândalo. Se isto ocorresse, segundo ele, seria uma grande decepção. Mas ela não inibiria a minha decisão, acrescentou.
O presidente chegou ao salão principal do Planalto para a cerimônia com a maior parte do discurso já escrita, fugindo ao seu estilo habitual de falar de improviso. Mas no pronunciamento acrescentou palavras de improviso, para reforçar as declarações dirigidas a quem tem se manifestado contrário ao governo.
Ao atacar a oposição, o presidente disse ver com indignação o comportamento cada vez mais ofensivo de setores inconformados, no fundo, com sua própria falta de alternativas às nossas políticas. Tenho sido paciente e tolerante, porque é do meu feitio e porque é dever de quem tem mandato do povo para governar o País, disse após acrescentar que o limite da paciência e da tolerância é a democracia. Segundo o presidente, a democracia exige respeito e ordem e sem ordem legítima não há democracia.
Depois de agradecer o apoio do Senado na aprovação da reeleição, Fernando Henrique disse que o futuro do País está nas mãos do Congresso e dos partidos que compõem a maioria no Congresso.


