O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá anunciar hoje a nomeação do senador Íris Resende (GO) para o Ministério da Justiça e do deputado Eliseu Padilha (RS) para o Ministério dos Transportes, cumprindo, assim, o compromisso firmado com o PMDB de atender às bancadas das duas Casas. Ficou de fora do ministério o deputado Aloysio Nunes Ferreira (SP), o preferido de Fernando Henrique, tanto para a Justiça quanto para os Transportes.
A nomeação de Padilha foi praticamente uma exigência da bancada na Câmara. Os deputados queriam a vaga dos Transportes, sem esconder que este ministério é eleitoralmente mais forte. Com Íris Resende no Ministério da Justiça o PMDB espera assumir de vez a coordenação política do governo, somando o trabalho do goiano ao do ministro para Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.
As duas escolhas foram feitas depois de intensa negociação do presidente Fernando Henrique com as lideranças do PMDB tendo como objetivo unir o partido em apoio ao governo. Padilha representa a ala já governista e Íris foi quem comandou, em janeiro, a rebelião do PMDB contra a votação da emenda da reeleição.
A preferência pelo senador goiano decorreu da avaliação do Planalto de que Íris Resende é o que mais agrega votos tanto na Câmara, onde comanda uma bancada de dez deputados, quanto no Senado, onde tem os três votos de Goiás. O Planalto queria pôr um jurista de renome no ministério, para fazer a aproximação entre Executivo e Judiciário, mas, diante das dificuldades de encontrá-lo, fez a opção política.
‘‘Íris é o único senador que de fato comanda uma bancada inteira, incluindo aí o governador Maguito Vilela (GO), que também é obediente a ele’’, explicou um ministro tucano que acompanha a novela do PMDB. A escolha de Íris agrada à cúpula do partido. ‘‘O Íris tem dimensão nacional para tratar de assuntos de cidadania, já foi ministro, governador e tem a cara do PMDB’’, resumiu um dos presentes à reunião da cúpula partidária na noite de quarta-feira. O encontro na casa do ex-governador Joaquim Roriz (DF) foi convocado para trabalhar a unidade de ação entre a ala governista e o grupo dos contra liderado pelo presidente Paes de Andrade (CE).
A unidade interessa aos dois grupos porque um partido forte é fundamental tanto para o sucesso da candidatura própria, defendida pelos contra, como para os governistas que pregam a reeleição de Fernando Henrique. ‘‘Precisamos de um PMDB fortalecido para não ficarmos em posição subalterna na aliança’’, disse o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), um dos defensores da parceria com o governo federal na disputa pelo Planalto.
A estratégia para 1998 só será definida em junho do ano que vem, como acordaram os líderes do partido na casa de Roriz. O que ficou definido desde já foi que, mesmo no cenário da unidade, o governo não poderá contar com o voto dos contra. ‘‘Unidade absoluta, nem na eleição do Vaticano’’, resumiu o deputado Paes de Andrade. ‘‘Aqui, estamos construindo a unidade possível para fortalecer o partido, porque em matéria de convicção minhas posições são inarredáveis’’, completou.
A cúpula do partido na Câmara também foi informada de que o secretário-executivo dos Transportes, José Luiz Portela, já comunicara ao Planalto sua disposição de não permanecer no posto depois da posse de Padilha. A notícia foi bem recebida pelo grupo ligado ao novo ministro, preocupado com ‘‘o desconforto’’ de o PMDB assumir um ministério onde o secretário é um tucano que tem linha direta com o presidente da República.
A informação de que o cargo de ministro dos Transportes seria enfraquecido porque uma mudança na estrutura retira do seu comando o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) também não causou preocupações. Antes de decidir se afastar do processo de escolha dos ministros, o próprio Fernando Henrique explicou à cúpula do PMDB que a mudança administrativa referia-se a todas as autarquias de todos os ministérios, e não exclusivamente ao DNER. Segundo um dirigente do PMDB, o novo modelo administrativo prevê a criação de um conselho presidido pelo secretário-executivo, que poderá ser um outro tucano. ‘‘Mas quem escolhe os membros desse conselho é o ministro’’, advertiu o dirigente do PMDB.

mockup