Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)RespostaFernando Henrique, na Base Aérea de Brasília: ‘Não estamos preocupados com o que dizem nos Estados Unidos ou com o que pensam os EUA’O presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou ontem o discurso feito pelo senador José Sarney (PMDB-AP) na última quarta-feira, no qual o ex-presidente acusou os Estados Unidos de boicotar o Mercosul e fomentar divergências na América Latina. Fernando Henrique criticou os comentários feitos pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, sobre o pronunciamento de Sarney, e, irônico, afastou o temor de que esteja em curso uma ação deliberada do governo dos EUA para desestabilizar o equilíbrio politico na região.
‘‘Nós brasileiros não temos essa preocupação doentia com o que pensam nos Estados Unidos, com o que dizem os Estados Unidos’’, disse o presidente ao chegar a Assunção, onde participa hoje da reunião do Grupo do Rio. ‘‘Nós não queremos ter relações carnais com ninguém’’, acrescentou, recorrendo à expressão usada pelo chanceler argentino, Guido di Tella, para definir o relacionamento da Argentina com os EUA. A frase soou como uma crítica também ao interesse manifesto pela Argentina de estabelecer uma parceria militar privilegiada com os EUA.
Apesar de adotar um tom conciliador ao comentar o encontro que terá hoje com o presidente da Argentina, Carlos Menem, Fernando Henrique criticou a posição argentina no debate sobre a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tem dominado a reunião do Grupo do Rio. ‘‘Nós achamos que uma ampliação por rotatividade não é verdadeiramente uma ampliação, porque já existe hoje uma parte do Conselho que é rotativa’’, disse. O presidente reiterou que, para o Brasil, que se considera candidato natural à vaga reservada à América Latina, faz mais sentido aumento do número de membros permanentes daquele organismo.
Ao comentar o pronunciamento de Sarney, Fernando Henrique foi incisivo: ‘‘Eu falei com o presidente Sarney e me pareceu um discurso muito bom, porque colocou uma posição do Congresso brasileiro’’. Para o presidente, ‘‘é importante que o Congresso expresse o sentimento do País’’. E esse sentimento, segundo Fernando Henrique, é de que o Brasil está construindo ‘‘uma parceria fundamental’’ com a Argentina e com o Mercosul, que vai permitir o crescimento econômico e fortalecer a democracia na região.
Fernando Henrique ressalvou que, na função de presidente da República, não poderia adotar exatamente as mesmas posições de Sarney, hoje um parlamentar que ‘‘fala politicamente’’. ‘‘Como chefe de Estado, minhas opiniões são balizadas pelos interesses globais do Brasil nas suas relações internacionais.’’ Mas insistiu: ‘‘Apreciei o fato de um líder do Congresso estar preocupado com essa matéria e ter expresso de forma clara o que pensa’’. Isso não quer dizer, segundo presidente, que o Estado brasileiro tenha de adotar as mesmas posições.
Ele censurou ainda o Departamento de Estado americano por ter criticado o pronuciamento de Sarney. ‘‘Não é próprio do Departamento de Estado opinar sobre o discurso de um parlamentar brasileiro’’, disse ele, lembrando que o Itamaraty tem por norma não emitir opiniões sobre o que dizem os membros do Congresso dos Estados Unidos.
O presidente procurou ainda transmitir tranquilidade em relação à anunciada aliança entre Argentina e Estados Unidos, lembrando que não existem ‘‘preocupações beligerantes’’ na América Latina. E buscou minimizar as repercussões da venda de aviões americanos de combate F-16 ao Chile. ‘‘O Brasil não está interessado nisso’’, assinalou. ‘‘Nós queremos é vender o Embraer 145 para os Estados Unidos.’’

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