Cardoso afasta-se para evitar desgaste
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Agência Estado, de Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai se afastar das negociações e entendimentos diretos com parlamentares para a aprovação dos projetos de interesse do governo no Congresso. O presidente se expôs demais, justificou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). O papel do presidente deve ser afirmativo na defesa das reformas, mas não precisa participar de entendimentos com as bancadas, disse.
Segundo Aécio, a negociação caberá aos líderes do governo e de partidos aliados. Assim o Executivo não sofre o desgaste diário. Durante o discurso feito quinta-feira, na posse dos ministros Íris Rezende, da Justiça, e Eliseu Padilha, dos Transportes, o presidente enfatizou que não irá mais se desgastar na luta pela aprovação das reformas. Ontem, afirmou que não pretende arrancar a fórceps votações no Congresso.
Para aprovar a emenda da reeleição, o presidente recebeu, em dezembro e janeiro, romarias de parlamentares em seu gabinete, inclusive em 28 de janeiro, dia da votação da emenda. Colocada no centro do escândalo da venda dos votos, a bancada do Acre relatou, depois da divulgação das denúncias, pedidos, como obras rodoviárias, feitos a Fernando Henrique. Isso obrigou o Palácio do Planalto a dar explicações detalhadas sobre as audiências do presidente. É esse tipo de desgaste que o PSDB quer evitar, a partir de agora.
Ontem, durante encontro com a bancada de tucanos de Goiás, Fernando Henrique garantiu que irá fortalecer o papel dos líderes. O presidente disse que não vê necessidade de sua interferência nas negociações com as bancadas, disse o prefeito de Goiânia, Nion Albernaz (PSDB). Irritados com a indicação de Íris Rezende (PMDB) para o Ministério da Justiça, os tucanos goianos foram levados até o presidente por Aécio Neves e pelo presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilella Filho (AL).
Antecipando o clima que deverá predominar no próximo ano, com as eleições, Fernando Henrique ouviu de Albernaz e dos deputados goianos críticas à incoerência do novo ministro. Uma semana antes de ser escolhido, ele estava convocando os correligionários a fazer uma frente de oposição ao governo, acusou o prefeito.
Mas os tucanos garantiram continuar apoiando o governo na votação das reformas no Congresso. E disseram ter conquistado o apoio do presidente para o lançamento de uma candidatura do PSDB em Goiás. Para Aécio, o saldo do encontro foi positivo. Me senti confortável, pois eles afirmaram que o apoio às reformas não é vinculado a este ou aquele cargo.


