O cardiologista José Wanderley Netto (PMDB) passou apenas 24 horas como candidato de FHC ao governo alagoano. Desistiu ontem por se sentir ‘‘usado’’. A decisão do cardiologista aprofundou a crise da base governista, que desde a semana passada tenta substituir a candidatura do governador Manoel Gomes de Barros (PTB), que renunciou.
O senador e candidato à reeleição, Guilherme Palmeira (PFL), único que vinha sustentando sua candidatura na coligação (PTB-PSDB-PFL-PMDB), chegou a comunicar na manhã de ontem o ex-coordenador da campanha Ruy Guerra que também havia desistido. Foi o suficiente para o ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador e presidente Nacional do PSDB, Teotônio Vilela Filho, atuassem como ‘‘bombeiros’. Conseguiram adiar até às 10h de quarta um pronunciamento de Palmeira oficializando o destino que tomará.
‘‘Não vou colocar meu nome para passar vexame. Se não tiver um candidato ao governo com possibilidade de vencer, estou fora. Não estou mais na idade para amadorismos’’, afirmou Palmeira.
O presidente da AMA (Associação dos Prefeitos de Alagoas), Fernando Sérgio Lyra (PSDB), explicou ontem as razões que levaram o cardiologista Wanderley Neto a desistir da disputa, ao anunciar seu desânimo pessoal e que não participa mais de nenhuma negociação para a escolha do candidato. ‘‘O Wanderley se sentiu usado como ‘‘candidato laranja’. Ele é um homem sério e não merece ser laranja’’, afirmou o presidente da AMA e prefeito de Maragogi (AL).
Recuperado de uma crise gástrica que o levou ao hospital na madrugada de sábado, Palmeira afirmou que tudo pode acontecer com o grupo governista. ‘‘Podemos dar a vitória por W.O. (ausência de adversário) ao Ronaldo Lessa (PSB) ou temos como saída criar um fato novo que viabilize a chapa e refaça o pique das bases’’, afirmou. Na primeira vez em que comentou a crise, Palmeira disse ainda que achou ‘‘muito radical’’ a posição do governador Barros ao renunciar à candidatura à reeleição.
Barros reiterou ontem sua posição de que só voltaria a disputa caso o governo FHC repassasse os R$ 122 milhões para que ele pudesse pagar os salários atrasados dos 55 mil servidores, uma herança do governo Divaldo Suruagy (PMDB).
Na semana passada, o governo federal estava disposto a repassar a metade dos R$ 122 milhões que o governo do Estado consideram como dívida da União com o Estado. Mesmo assim, Barros desistiu da candidatura, em reunião com FHC. Porém o governador não oficializou a renúncia no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Somente a ex-candidata a vice na chapa, a deputada tucana Ceci Cunha, desistiu oficialmente, o que abriu prazo até a próxima sexta-feira para que a coligação indique um vice ou mesmo troque a chapa toda. Caso não complete ou troque os candidatos, a coligação ficará sem candidato.

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