Salvador - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal-arcebispo d. Geraldo Majella Agnelo, voltou ontem a reclamar da ''lentidão'' do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em promover as mudanças visando a melhorar as condições de vida do povo brasileiro. ''Até que o Brasil não é explosivo para revoluções. Em outros países, já teria ocorrido'', declarou, lembrando que, em 2003, alertou o governo de que o Brasil vive uma espécie de ''panela de pressão'' prestes a explodir por causa das demandas sociais.
Falando em Salvador, na abertura da Campanha da Fraternidade de 2004, ontem, d. Geraldo não se mostrou surpreso com o fato de o caso Waldomiro Diniz ter ocorrido na gestão petista. ''Onde existe o homem, há sempre a possibilidade de se fazer o mal'', declarou. ''Não é surpresa. Será que não tem outros também?'', indagou, afirmando que Lula não pode ser responsabilizado se um membro da administração federal está envolvido num caso de corrupção.
''Ainda estamos num tempo de, na política, infelizmente, não se trabalhar pelo bem comum, mas para o bem pessoal ou de grupos. Isso é uma grande tentação'', disse, condenando a ação de Diniz e atuação de lobistas no Congresso.
O presidente da CNBB afirmou que conversou com Lula sobre a necessidade de medidas urgentes para melhorar a situação das populações mais carentes. ''Não é fácil fazer um julgamento de Lula e companhia. A gente sempre quer mais. Não vou dizer que decepcionaram. Eu já disse ao próprio Lula: isso é urgente, trabalhar sobre o social. O capital sempre será remunerado. Veja o ganho dos bancos. Tem algum que não ganhou? Nenhum. Agora, quem paga tudo? É sempre o salário do pobre que paga todas as desordens e catástrofes'', disse, assinalando que, no poder, o PT ainda fez pouco.
D. Geraldo cobrou mais responsabilidade da classe política, voltando a insistir na necessidade de promover as mudanças. Ele manifestou-se contra a legalização dos bingos e dos cassinos. Em meio ao tema da Campanha da Fraternidade, ''Água, fonte da vida'', reafirmou a posição da Igreja contra a privatização das empresas estaduais de abastecimento de água.

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