Carcereiro é preso com documentos de Valério
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Folhapress 
São Paulo - A Corregedoria da Polícia Civil prendeu na manhã de ontem, em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte) o carcereiro aposentado Marco Tulio Prata com documentos da DNA, uma das empresas de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, parcialmente queimados. Valério foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos operadores do ''mensalão'' - suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada em troca de apoio político.
Além dos documentos, a polícia apreendeu ainda pelo menos 16 armas de diferentes calibre, entres eles pistolas 380 e 40. Todas estavam escondidas em um fundo falso em um dos armários da casa do carcereiro aposentado. Ainda na casa dele, a polícia encontrou uma luneta de precisão, explosivos, farta munição e três silenciadores de armas, cujo uso é proibido até mesmo para policiais.
A apreensão dos documentos pegou a polícia de surpresa. Isso porque a equipe da Corregedoria tinha ido até a casa do policial para cumprir um mandado de busca e apreensão - que foi expedido por causa da suspeita que Pratinha escondia armas em sua casa - e outro de prisão preventiva. Pratinha é acusado de homicídio doloso. Segundo a polícia, ele atirou no ano passado em um rapaz que estava hospitalizado depois de se envolver em uma briga com o filho de Prata.
Em depoimento à CPI dos Correios, a ex-secretária de Marcos Valério Fernanda Karina Somaggio havia informado que o publicitário tinha um amigo na Polícia Civil que fazia grampos telefônicos para ele. A CPI Correios, que já ouviu o depoimento do empresário e quebrou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, discute a possibilidade de enviar para Belo Horizonte uma equipe para recolher o material.
''Havia um burburinho em Belo Horizonte de que ninguém acharia os documentos da empresa do Marcos Valério. Agora, é essencial uma diligência para saber se vamos precisar desse material agora'', afirmou a senadora (PSOL-AL) Heloísa Helena, que deverá viajar para Minas com os deputados Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Onyx Lorenzoni (PFL-RS) para colher detalhes do caso. Além da DNA, Valério é dono da agências de comunicação SMPB.
Segundo Jefferson, Valério ajudava o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, na distribuição das mesadas de R$ 30 mil a deputados de outros partidos da base aliada. Esse dinheiro - de estatais e empresas privadas-chegava em ''malas'' a Brasília e era então distribuído.
O publicitário negou as acusações, classificando-as como ''infundadas, fantasiosas e aparentemente produzidas por desatino, desespero e cinismo.'' Valério negava até então ter qualquer envolvimento financeiro com o partido do presidente Lula. Ele confirmava, no entanto, ter um relacionamento estreito com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Em 2004, segundo ano de governo do presidente Lula, a DNA e a SMPB ampliaram seus ganhos em contratos oficiais. Valério teve o valor de um contrato aumentado, venceu duas contas novas, nos Correios e na Câmara dos Deputados, e conseguiu prorrogar outros quatro contratos antigos. Suas empresas conquistaram cerca de R$ 150 milhões em contratos com cinco órgãos e estatais do Executivo, além da Câmara dos Deputados. Se avaliados também projetos de longo prazo, diz a ''Veja'', o total dos negócios de Valério junto ao governo pode chegar a R$ 400 milhões.


