Caráter social rende elogios até da oposição
As 2.650 páginas do Orçamento da União, prevendo o ingresso de R$ 280,23 bilhões nos cofres públicos federais em 2001, arrancaram elogios de aliados e adversários do governo, mas foram os governistas que deixaram o Congresso cantando vitória ontem. Os ministros da Educação (Paulo Renato Souza) e da Saúde (José Serra) são os grandes vencedores da batalha dos recursos; o governo ganhou porque o Orçamento deixa clara suas prioridades sociais, e a base aliada sai daqui com um excelente discurso de campanha, comemorou o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS).
É opinião unânime entre os parlamentares que o governo e o Congresso produziram o melhor orçamento, do ponto de vista do investimento social, dos seis anos já cumpridos do mandato de FHC. O projeto é generoso com as carências sociais do País, concorda o deputado José Genoino (PT-SP), mas anota, preocupado: Esse é também o orçamento da eleição de 2002.
O líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, deputado Ricardo Barros (PSDB-PR), observa que a preocupação com a redução das desigualdades se materializa nos R$ 3,1 bilhões destinados ao Fundo de Erradicação da Miséria, dos quais R$ 1,7 bilhão será distribuído por meio do programa Bolsa-Escola e R$ 1,3 bilhão para financiar projetos de saneamento básico, que têm impacto sobre a saúde pública e, principalmente, na redução dos índices de mortalidade infantil.
Para se ter uma idéia do significado prático desses números, basta saber, diz Barros, que, neste ano, foram gastos apenas R$ 165 milhões com o bolsa-escola, mediante o qual as famílias passam a receber uma quantia em dinheiro para cada filho menor de 14 anos mantido na escola. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, acredita que, com esse volume de recursos, será possível universalizar o programa e atender a 3 milhões de famílias para que os 8 milhões de crianças possam estudar. (A.E.)





