Caras-pintadas voltam às ruas, mas sem impeachment
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
Clarissa Oliveira<br>Agência Estado 
São Paulo - Os ''caras-pintadas'' voltarão às ruas no próximo dia 16 de agosto, em Brasília, para um protesto organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). O movimento estudantil, que protagonizou várias manifestações contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, pretende pedir a apuração das denúncias de corrupção que atingem o governo federal e demandar a reforma do sistema político do País.
Mas, diferentemente do que ocorreu em 1992, o protesto não envolverá um pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o presidente da UNE, Gustavo Petta, a hipótese de um pedido de impeachment não está sendo considerada pelo movimento estudantil, já que, até agora, não há elementos que comprovem uma relação direta entre Lula e as denúncias. ''Nós acreditamos que esta é uma situação muito diferente da que tínhamos na época do Fora Collor'', disse Petta, em referência ao grito que marcou os protestos pela saída do ex-presidente. ''Na atual situação, nós não acreditamos que haja um envolvimento direto do presidente Lula'', acrescentou.
Petta insistiu, no entanto, que ficou comprovado desde o impeachment de Collor que o problema da corrupção no Brasil é resultado de um sistema político ''viciado e corrompido'' e que os meios de reverter a atual situação estão na aprovação da reforma política do País. ''Percebemos que isso é cíclico no Brasil. Este escândalo vai acabar, vão punir alguns deputados, mas depois de seis meses isso tudo voltará à tona'', disse Petta. ''Precisamos aproveitar esse momento de crise para promover a reforma política no Brasil, guiada pela fidelidade partidária e pelo financiamento público de campanha'', acrescentou.
De acordo com o presidente da UNE, a manifestação do dia 16 será a primeira de uma série de protestos que serão organizados em conjunto com a Ubes, com o apoio de outras entidades ligadas a movimentos sociais, como o Movimento dos Sem-Terra (MST) e a Cen tral Única dos Trabalhadores (CUT). Nos próximos dias, será divulgado um calendário com convocações para outros protestos nas principais capitais do País. No caso de Brasília, a expectativa dos organizadores é de reunir cerca de 10 mil pessoas.


