Arquivo FolhaSaia justaCapozzi: denúncia colocou ex-superintendente do Banco do Brasil ‘‘em situação constrangedora’’O ex-superintendente do Banco do Brasil, Ernesto Capozzi, disse ontem em Curitiba que não autorizou o ex-gerente da agência Alto da Rua XV, Silviano Câmara Filho, a redigir as procurações que tornaram possível a movimentação e lavagem de dinheiro ‘sujo’ nas contas das empresas ‘fantasmas’ envolvidas no esquema dos precatórios. ‘‘Não dei ordem nenhuma e a CPI dos Títulos Públicos investiga saques (em outubro de 96) que foram feitos depois da minha aposentadoria (em março de 96) no banco’’, afirma Capozzi, que hoje responde extra-oficialmente pela vice-presidência do Banestado.
O ex-superintendente não quer polemizar com o relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-PR), nem com o senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), os responsáveis pela tomada de depoimento do ex-gerente Câmara Filho e dos demais acusados de envolvimento, na sexta-feira passada. Capozzi quer aguardar os resultados das investigações que estão sendo feitas pela auditoria interna do BB para depois se manifestar sobre quem recai a culpa. ‘‘Não entro no mérito, até porque tudo isso está me causando um grande constrangimento. Fui convidado para assumir a vice-presidência do Banestado’’, avalia.
Ernesto Capozzi defendeu-se ainda das acusações feitas por um dos proprietários da Transoceânica Passagens e Turismo, Ernesto de Veer, no depoimento dado aos senadores da CPI. O empresário sugere que o BB fazia operações de câmbio arriscadas junto ao banco paraguaio Amambaí, o que segundo ele, a divulgação seria um ‘‘escândalo’’. ‘‘Desconheço tais operações, mas não posso afirmar que não houve. Cabe à auditoria apurar isso. O que sei é que nem todas as operações de câmbio passam pela superintendência, somente as de grande volume’’, contra-argumenta.
Capozzi diz ainda que a sua atuação como superintendente ‘‘restringiu-se aos valores globais’’ movimentados no banco. Segundo ele, as capitações do BB chegaram, durante a sua gestão, a R$ 3 bilhões. ‘‘Os R$ 3,6 milhões alegados pela CPI dos Precatórios equivalem a 1% do total’’, constata o ex-superintendente emendando que só se ‘‘preocuparia em casos de queda na capitação’’. (L.D.)

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