Capozzi é excluído das investigações
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A CPI dos Títulos Públicos excluiu o ex-superintendente do Banco do Brasil Ernesto Capozzi das investigações. O ex-gerente da agência do BB no Alto da Rua XV, Silviano Câmara Neto, voltou atrás e retirou as acusações que fez contra o ex-superintendente durante o seu depoimento. Câmara Neto havia dito que Capozzi determinara a produção das procurações que autorizavam transferências entre as contas das empresas fantasmas mantidas pela Transoceânica Passagens e Turismo e Transcorp Distribuidora de Títulos Imobiliários na lavagem.
O ex-gerente se desmentiu na acareação, o que me leva a concluir que o senhor Capozzi nada tem a ver até agora com o processo, declarou o relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-PR), que ontem esteve em Curitiba acompanhado do senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), para tomar depoimentos. Requião garante que a CPI vai processar Câmara Neto - hoje gerente do BB no bairro Portão - por falso testemunho.
Emocionado, Capozzi saiu chorando da acareação na Polícia Federal. O ex-superintendente não quis falar com os jornalistas. Resumiu que a verdade dos fatos foi estabelecida. A sua chegada pela manhã também foi tensa. Foi acompanhado da mulher e do advogado. Capozzi estava inconformado com a acusação feita e retirada pelo ex-gerente, pelo constrangimento que lhe causou. Capozzi responde hoje pela vice-presidência do Banestado.
Os depoimentos tomados ontem por Requião e Kleinubing serviram para confirmar algumas desconfianças e dar novo rumo às investigações. A funcionária do governo, Arlete Dias de Moraes, foi mesmo usada no esquema de lavagem, segundo os senadores. Ela e outras 80 pessoas foram envolvidas mesmo não tendo autorizado as movimentações (todas acima de R$ 30 mil) feitas em seus nomes pelo grupo Transoceânica.
Os cabeças do esquema usaram CPFs (Cadastros da Pessoa Física) e endereços verdadeiros para legalizar o dinheiro sujo. As assinaturas, no entanto, foram falsificadas. Arlete Dias de Moraes teria dado uma pista para os senadores da CPI sobre uma nova corretora de câmbio que estaria envolvida no esquema, a Sigla Corretora. Os senadores desconfiam que a corretora é comandada, assim como a Assempre, por um laranja inconsciente, no caso um agricultor da cidade de Videira, Santa Catarina.
Vera Lúcia Furman Lichs, funcionária da agência Alto da Rua XV do Banco do Brasil, entregou extratos bancários aos senadores confirmando saques que totalizam R$ 2,7 milhões feitos em dinheiro na boca do caixa por Erich Fuchs e Altair Bora. Fuchs negava a movimentação antes da acareação. O ex-gerente Nilson dos Santos compareceu para depor na última hora. Até o fechamento desta edição, o ex-gerente não havia concluído o seu depoimento na PF.
O controle fiscal das contas, entregue pela funcionária, deixou claro ainda, segundo Kleinubing, o pagamento de uma comissão de R$ 800 mil para o grupo Transoceânica. O equivalente a 12% por cento dos R$ 7,5 milhões vindos da IBF foram desaguados no Paraná, disse o senador emendando que 12% é um índice padrão no esquema dos precatórios.


