Capitais têm atos contra a Lei de Abuso de Autoridade neste domingo
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de agosto de 2019
Agência Estado 

Liderando manifestações em mais de 60 cidades contra a Lei do Abuso de Autoridade neste domingo (25), o Movimento Vem Pra Rua, de apoio à Lava Jato, escolheu a casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) como um dos dois pontos de concentração no Rio. Ele é visto pelo movimento como o comandante de "manobra" que levou à aprovação "à toque de caixa e de madrugada" do projeto pelos deputados federais no último dia 14.
O ato se repete nas principais capitais, como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, e também ecoou em Londrina.
Por volta das 10h30 cerca de 80 pessoas vestidas de verde e amarelo se concentraram na porta do prédio de Maia, na praia de São Conrado, aos gritos de "Fora Maia" e "Veta Bolsonaro". Também levavam cartazes e faixas com inscrições como "Rodrigo Maia Inimigo da Lava Jato", "Botafogo apoia a corrupção", em referência ao suposto codinome atribuído a Maia em planilha da Odebrecht.
O texto aprovado na Câmara define os crimes de abuso de autoridade cometidos por servidores públicos, militares, membros dos poderes Legislativo, Executivo, Judiciário, do Ministério Público e dos tribunais ou conselhos de contas. A proposta lista uma série de ações que poderão ser consideradas crimes com penas previstas que vão de prisão de três meses até 4 anos, dependendo do delito, além de perda do cargo e inabilitação por até cinco anos para os reincidentes.
'CASSETA' EXPULSO
O humorista Marcelo Madureira teve que sair escoltado pela Polícia Militar dO ato organizado pelo Movimento Vem Pra Rua na praia de Copacabana, no Rio, neste domingo (25), por fazer críticas ao governo Jair Bolsonaro.
Do alto do carro de som, ele foi alvo de gritos de "fora" e "desce, teu carro é outro" por parte de manifestantes vestidos de verde amarelo e com camisas com o rosto do presidente da República e do ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro.
"Não tenho medo de vaias. Votei no Bolsonaro e vou criticar todas as vezes que for necessário. Como justificar uma aliança do Jair Bolsonaro com o Gilmar Mendes para acabar com a Operação Lava Jato? É isso que está acontecendo", disse Madureira antes de ter o microfone cortado.
Os organizadores tiveram que apelar ao público para "não dividir o movimento". Pouco depois, Madureira desceu e foi escoltado por policiais militares até um táxi, recebendo vaias de alguns e os parabéns de outros. "É uma minoria de pessoas que não sabem viver em um regime democrático. O governo está fazendo coisa errada", disse.
EM BRASÍLIA, ATO REÚNE 5 MIL
Ato organizado pelo movimento Vem Pra Rua reuniu cerca de 5 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios em Brasília na manhã deste domingo, 25, segundo estimativas dos próprios organizadores. A Polícia Militar não divulgou números de participantes no protesto e não foram registradas ocorrências.
A manifestação, que ocorreu em várias cidades do País, foi convocada em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. O ato pedia o veto ao projeto de lei que pune abuso de autoridade, já aprovado pelo Congresso e que aguarda sanção presidencial, e o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Além disso, outras duas bandeiras do protesto eram pela manutenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cadeia e pela escolha do procurador Deltan Dallagnol para a Procuradoria Geral da República (PGR).
Os manifestantes se reuniram em frente ao Congresso Nacional pela manhã, vestidos de verde e amarelo. Havia um boneco inflável do ministro da Justiça, Sergio Moro, vestido de super homem.
'VETO TOTAL' EM BELO HORIZONTE
Em ato organizado por apoiadores do governo em Belo Horizonte, manifestantes atacaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e cobraram do presidente Jair Bolsonaro veto total à Lei de Abuso de Autoridade, avaliada como caminho para reduzir o combate à corrupção e o impacto de operações como a Lava Jato
Sanitários químicos alugados por fundadores do Patriotas, que participaram da organização do ato junto com o movimento Vem Pra Rua, tiveram cartazes pregados com a inscrição "STF - Sanitário Togado Fedorento". Pela primeira vez em atos pró-Bolsonaro em BH, ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram em segundo plano.
"As pessoas elegeram Jair Bolsonaro para ele mudar o que vinha ocorrendo no País em relação à corrupção", afirma a coordenadora do Vem Pra Rua na cidade, Kátia Pegos, que acredita em possível perda de apoio da população ao presidente caso a lei não seja vetada integralmente.
Para a militante, as instituições estão querendo se blindar contra investigações. "Há indícios de que o presidente não está sendo tão incisivo como deveria nesta questão. Bolsonaro não tem que ter medo de enfrentar deputados, senadores ou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O povo está com ele", disse.
Mensagens eram exibidas e lidas por manifestantes do alto de um caminhão de som do Vem Pra Rua. "Não elegemos Bolsonaro para abafar investigações contra bandidos", dizia uma delas. "Veta tudo, Bolsonaro", afirmava outra. Faixas e cartazes também cobravam o veto do presidente à lei.


