O relatório da Comissão de Investigação mostra que o canil da UEL, construído junto ao Hospital Veterinário (HV) em 1996, teve seu preço superfaturado. A obra foi licitada em R$ 135 mil, porém houve um aditivo de R$ 8,2 mil, solicitado pela prefeitura do campus.
O arquiteto Otávio Chimba, membro da comissão, explicou que a UEL pagou R$ 1.258 pelo metro quadrado de área construída. Segundo ele, o metro quadrado de um apartamento de alto padrão, em uma das áreas mais nobres de Londrina, custaria R$ 554. ‘‘Isso dispensa qualquer comentário. Provavelmente os cães vivem em um hotel 5 estrelas’’, brincou. Um empresário do setor da construção civil confirmou ontem que o metro quadrado do edifício mencionado custa em média R$ 650.
Chimba disse ainda que o canil da UEL não tem infra-estrutura diferenciada, que pudesse justificar o preço encontrado pela comissão. ‘‘O que mais espanta é isso: não existe nenhum acabamento especial, nenhum material específico que podemos dizer que seja de alto custo’’, afirmou. ‘‘Visivelmente nota-se que esse custo é exagerado’’.
Segundo relatório da comissão, o canil é composto de duas partes: uma de 104 metros quadrados fechada (para fins laboratoriais) e outra semicoberta de 135 metros quadrados (com baias de canil). Além disso, o piso é cimentado, as estruturas de cobertura são de madeira com telhas de barro, paredes de alvenaria nos espaços fechados e telas no canil.
O arquiteto informou que foram analisadas aleatoriamente apenas cinco, de um total de 142 obras construídas nos últimos cinco anos no campus universitário. ‘‘Todas apresentaram fortes indícios de irregularidades’’, resumiu. Segundo ele, a comissão também encontrou indícios de favorecimento para empresas. Chimba afirmou que é preciso uma investigação mais aprofundada sobre as obras construídas no campus.
Além do canil, a comissão apontou irregularidades na construção de um bloco do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), do Laboratório de Nutrição Animal, do Laboratório de Química e do Laboratório de Solos. (L.R.)

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