O ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçu, convocou o prefeito Barbosa Neto (PDT) como sua testemunha de defesa no processo que tramita na 3 Vara Criminal em que Canguçu é acusado de formação de quadrilha, peculato e corrupção através do termo de parceria entre a Prefeitura de Londrina e o Instituto Gálatas. O ex-procurador é um dos 15 réus ação, que ontem chegou praticamente à fase final da oitiva das testemunhas de acusação: 20 já foram ouvidas.
Além do prefeito Barbosa Neto, Canguçu também arrolou como testemunha o secretário de Fazenda, Luiz Nicácio, o atual procurador-geral do município, Paulo Tiene, e o secretário de Governo, Marco Cito. Também fazem parte da lista três pessaos que moram em Arapongas. A audiência para ouvir as testemunhas de defesa foi marcada para 31 de agosto e, segundo o cartório da 3 Vara Criminal, mais de 70 pessoas foram convocadas pelos 15 réus. Cada um tem direito a até oito testemunhas.
A primeira-dama, Ana Laura Lino, também havia sido convocada para depor no processo, porém, como testemunha de acusação, mas uma liminar em habeas corpus no Tribunal de Justiça a dispensou. A defesa alegou que como Ana Laura é investigada em inquérito que tramita no Tribunal de Justiça - em razão de envolver Barbosa e ele ter foro privilegiado por ser prefeito - sobre possíveis irregularidades na contratação do Instituto Atlântico poderia produzir provas contra si mesma depondo no caso Gálatas.
Fato novo
Na audiência de ontem, prestou depoimento a servidora municipal Sandra Regina dos Santos Silva, que revelou à juíza Oneide Negrão, a suposta existência de um documento assinado pelo então secretário de Gestão Pública, Marco Antonio Cito, que autorizava a contratação do Gálatas e do Atlântico. Funcionária da gerência financeira, Sandra conversou rapidamente com a imprensa e não quis falar sobre o documento. ''Solicitamos à juíza para expedir ofício para que o município encaminhe cópia deste documento para ser juntada ao processo'', afirmou o promotor Cláudio Esteves.
A reportagem da FOLHA apurou que o ofício teria data de 25 de novembro do ano passado e era uma espécie de aval para que a Secretaria de Saúde fizesse o pedido para a constração do Gálatas e Atlântico. O secretário Marco Cito disse ontem que estava com o processo em mãos e negou que houve semelhante documento nos autos. O secretário interino de Saúde, Márcio Nishida, disse que não ocupava cargo comissionado à época da contratação - em 8 de dezembro - e não tem conhecimento do documento. ''Mas, se ele existir, vamos encaminhá-lo à Justiça'', disse Nishida.
Até agora nenhum dos envolvidos na contratação dos institutos assumiu a responsabilidade. A maioria informou que foi uma deliberação do Conselho Municipal de Saúde - embora este órgão seja apenas consultivo e não tenha o poder de contratação.

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