Patrícia Zanin
De Londrina
O secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que pretende interpelar judicialmente o presidente estadual do PMDB, senador Roberto Requião, para que ele dê nome às pessoas acusadas de envolvimento em corrupção na cúpula da Secretaria de Segurança Pública.
Requião acusou o comando da Secretaria de ser ‘‘frouxo e corrompido’’ e cobrou punição para a compra das jaquetas sem licitação pela Polícia Militar, em entrevista publicada no domingo pela Folha. ‘‘Ele não tem a menor autoridade, nem ética, nem moral para falar sobre segurança pública. Uma das áreas menos atendidas no governo dele foi segurança, com fatos extremamente marcantes, até hoje nebulosos’’, criticou o secretário.
Ele citou a morte do líder Teixeirinha no Oeste do Paraná, ocorrida durante o governo de Requião, além da operação ‘‘Grande Festa’’, que tentou pôr fim ao jogo do bicho. Cândido Martins disse que a CPI do Narcotráfico deveria investigar as denúncias envolvendo o envio de dólares para o exterior pela mulher de Requião, Maristela. ‘‘E se ele está tão interessado na segurança do Paraná, que aponte, como senador da República, um gesto, uma verba, um projeto, para melhorar a segurança no Estado’’, provocou.
Cândido Martins deu as declarações de Brasília, por telefone, onde participou de um encontro com 25 dos 27 secretários estaduais de Segurança, convocado pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias. Segundo Cândido Martins, o plano nacional de segurança que o governo federal pretende implantar terá apoio dos Estados, mas eles querem recursos da União.
‘‘O governo federal foi muito cobrado. Existem boas idéias, planos bons, mas é consenso de que tem de haver recurso’’, analisou. De acordo com o secretário paranaense, a única área do governo sem linha de crédito e financiamento é a segurança. ‘‘Há estados, por exemplo, que a situação é muito difícil. Não dispõem de colete a prova de bala, armas e viaturas, que não é o caso do Paranᒒ.
Para Cândido Martins, a intenção do governo com o plano nacional de segurança é boa. ‘‘Temos de dar um crédito de confiança ao ministro da Justiça, que é um homem sério, conhecedor profundo do assunto, criminalista respeitado’’, argumentou.
De manhã, os secretários ouviram a proposta do governo sobre o plano de segurança. Uma comissão do ministério pretende elaborar os princípios básicos do plano e encaminhar cópias aos estados para que os secretários avaliem e apontem sugestões. ‘‘Deve ser rápido’’, aposta o paranaense.
Os secretários também participaram de um encontro à tarde, com a apresentação de projetos dos estados. Cândido Martins levou à reunião as experiências dos grupos especiais de segurança do Paraná como Fera, Cope, Tigre, Patrulha Escolar e Patrulha Rural. ‘‘Apresentei ainda o trabalho integrado das duas polícias e o projeto da distritalização que prevê a divisão das grandes e médias cidades em distritos integrados’’. (Leia mais sobre a reunião na página 6)

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