O secretário da Segurança do Paraná, Cândido Martins Oliveira, quer que a CPI do Narcotráfico identifique as testemunhas encapuzadas que estão prestando depoimento na Assembléia Legislativa. Para ele, isso é o mínimo que se pode esperar num estado democrático. ‘‘Assim como garantimos que vamos executar todas as recomendações da CPI com relação à orientação de envolvimentos de policiais civis e militares e vamos apurar a verdade até o fim, queremos saber quem são os acusadores para saber se estão falando a verdade’’, disse minutos depois da tomada do primeiro depoimentos, por volta das 20 horas.
Cândido Martins disse que prefere aguardar a conclusão dos trabalhos na CPI para adotar qualquer providência quanto à acusação feita em plenário ao delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képpes de Noronha, e ao delegado Kyioshi Hatanda. O secretário ressaltou também que confia em seus colaboradores da Polícia Civil ‘‘até prova em contrário’’.
O secretário chamou a atenção que mesmo que os delegados sejam indiciados pela CPI, isso não significa uma decisão de culpabilidade. ‘‘É evidente que os acusados terão amplo direito de defesa’’, destacou. Ele assinalou que viu nos depoimentos apenas testemunhas de pessoas presas pela Polícia Civil do Paraná e condenadas pela Justiça. ‘‘E agora essas pessoas se arvoram como paladinos da própria Justiça?’’, argumentou.
‘‘Temos de colocar os pés no chão’’, alertou Cândido. Para o secretário, esses presos podem estar querendo se vingar agora de delegados, escrivães e policiais que o prenderam. Por isso, o secretário pediu muita prudência e cautela por parte da CPI, lembrando que as afirmações das testemunhas devem ser levadas em consideração, mas não significam um julgamento. ‘‘Se for assim, daqui para frente estaremos nas mãos dos bandidos que a Polícia prendeu’’. O secretário insistiu que a Secretaria da Segurança Pública vai até o fim para apurar a verdade do que está sendo afirmado perante a CPI.