PARANÁ Cândido condena intervenção na Polícia Secretário afirma que a idéia é inadmissível e que o governo está empenhado em encontrar um substituto para Noronha Arquivo FolhaSobrandoCândido de Oliveira: ‘Temos o nome de cerca de 400 delegados para serem escolhidos pelo governador’ Leandro Donatti De Curitiba O secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, condenou ontem a idéia de intervenção na Polícia Civil do Paraná, proposta feita ao governador Jaime Lerner (PFL), em meados desta semana, por um grupo de aliados. Cândido Martins disse que ‘‘basta ler a Constituição federal e estadual para saber que a idéia é inadmissível’’. ‘‘A Polícia Civil será comandada por um delegado de carreira (e não por um representante do Ministério Público ou de entidade civil organizada, como propuseram os aliados)’’, observou o secretário em entrevista à Folha. Parte interessada no processo – uma intervenção na Polícia esvaziaria seus poderes políticos como secretário de Estado – Cândido Martins tratou de reforçar que ele e o governador buscam nome dentro da corporação para assumir o cargo. Marco Antonio Lagana responde pela Delegacia Geral da Polícia Civil há cerca de duas semanas, desde a exoneração de João Ricardo Képes Noronha, homem tido como de confiança de Cândido Martins e acusado de envolvimento com o narcotráfico. ‘‘Temos o nome de cerca de 400 delegados para serem escolhidos pelo governador. A Constituição não obriga que o delegado geral seja de primeira classe’’, ressalvou. ‘‘Estamos analisando alguns nomes e teremos uma definição em breve’’, prometeu o secretário da Segurança ontem. Para Cândido Martins, o novo delegado geral tem de possuir pelo menos três qualidades: ‘‘independência’’; ‘‘não vinculação com grupos internos da Polícia’’; e ‘‘capacidade para harmonizar a corporação’’. Duas semanas depois do furacão da CPI, cujas testemunhas ouvidas o colocaram sob suspeição, Cândido Martins demonstrava ontem que está, mais do que nunca, disposto a recuperar a imagem da Polícia do Paraná. O secretário não disse com todas as palavras, mas deu a entender que o seu plano saneador tem tudo para dar certo. ‘‘Principalmente porque a Polícia Civil está recebendo aquilo que nunca lhe foi dado: recursos humanos, novos escrivães, e estrutura.’’ O governador Jaime Lerner não se manifestou ontem sobre a proposta dos aliados de nomear um interventor para pôr ordem na Polícia Civil. Lerner viajou para Juiz de Fora, Minas Gerais, onde foi homenageado por estudantes, e retornou no final da tarde, onde ficou reunido com seu staff no Palácio Iguaçu. Nenhum sinal foi emitido pelo governador, o que abriu espaço para especulações dentro do próprio governo. Uma fonte disse à Folha que Lerner resiste à idéia de intervenção. O que estaria pesando na posição do governador são as implicações jurídicas que a nomeação de um delegado geral fora dos quadros poderia provocar. O sinal de que pode não intervir acaba com os planos dos ‘lerneristas’ pró-intervenção. Na conversa com o governador, na quarta-feira, sugeriram três nomes de interventor: um procurador e dois delegados. O secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, responsável pela articulação política do governo do Estado, disse pela manhã que não tratou do assunto com Lerner, por conta das viagens para Brasília, na quinta-feira, e para Juiz de Fora, ontem. ‘‘Qualquer proposta que tenha por objetivo melhorar a Polícia Civil do Paraná está sendo analisada com atenção pelo governador’’, garantiu.