Curitiba- Todas as articulações políticas de 2002 levarão em conta um fator: a eleição do dia 27 de outubro, que será a maior eleição totalmente informatizada já realizada no Brasil. Ao todo, o eleitor deverá escolher seis candidatos para ocupar os cargos de presidente, governador, deputado federal, estadual e senador.
Mesmo faltando mais de dez meses para o dia da votação, os diretórios estaduais já se articulam internamente em busca dos nomes viáveis para disputarem o governo e o Senado. Os partidos mais estruturados do Paraná afirmam que pretendem lançar candidaturas próprias ao Palácio Iguaçu, e testam nomes para ver quais são os candidatos mais bem-aceitos pela população.
Muitos nomes cogitados para o governo, porém, não devem sustentar suas candidaturas até o dia 30 de junho, prazo dado pela Justiça Eleitoral para que as chapas que irão disputar as eleições sejam homologadas. Tradicionalmente, a estratégia de partidos com poucas chances de vencer as eleições majoritárias é tentar demonstrar sua força política no Estado para poderem firmar alianças com siglas mais bem posicionadas. A submissão a outro candidato geralmente é recompensada com cargos políticos na administração do futuro governador.
Além da disputa pela sucessão de Jaime Lerner (PFL), os eleitores paranenses também poderão escolher o ocupante de duas das três vagas a que o Estado tem direito no Senado. Após exercerem a função de senador por oito anos, Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT) definem se serão candidatos à reeleição, ou tentam vôos mais altos.
O Senado é a única instância legislativa brasileira na qual a renovação da Casa não ocorre de uma vez só. A cada quatro anos, disputa-se alternadamente um terço e dois terços das vagas para a instituição, que é formada por três representantes de cada Estado. Segundo o analista político Constantino Cominos, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Curitiba, a formação da casa tenta criar um equilíbrio nas disputas políticas em Brasília.
‘‘Enquanto a Câmara dos Deputados disputa suas eleições há cada quatro anos e assim reflete mais o momento político atual, o Senado tem a tradição da continuidade. Na Câmara, os discursos são mais inflamados, e a Casa tende a ser mais dinâmica em suas decisões. O Senado geralmente é mais condescendente e ponderado’’, analisa Cominos.
Para o analista, o fato de cada Estado ter direito a um número de vagas na Câmara dos Deputados proporcional a sua população também gera diferenças entre os dois órgãos que formam o Congresso nacional. ‘‘As disputas da Câmara costumam ser marcadas pelo regionalismo, e os deputados tentam defender os interesses de seus Estados de origem. Como no Senado cada Estado tem o mesmo número de representantes, essa disputa interestadual não ocorre com tanta força’’, pondera.

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