Dois dos 25 municípios da região de Campo Mourão estão com candidatos únicos à prefeitura. Tanto em Boa Esperança (7 mil habitantes) quanto em Quinta do Sol (5,2 mil), os únicos candidatos são os atuais prefeitos, Cláudio Gotardo (PSDB) e Narciso Cacilha (PFL), respectivamente. Para os dois, que foram eleitos em disputas acirradas em 1996, uma das principais vantagens da candidatura única é a realização de campanhas mais baratas.
‘‘Assim é muito mais barato’’, conta Gotardo. ‘‘Só está reclamando aquele eleitor que quer resolver seus problemas em época de eleição’’, completa. Cacilha concorda. ‘‘Sem adversário, a gente gasta só o que pode e o que quer’’, diz o prefeito de Quinta do Sol. Os dois negam, porém, que estejam acomodados com a situação. Estão fazendo comícios e reuniões por todo o município. Cacilha, por exemplo, disse que quer visitar todos os eleitores até o dia da eleição.
Outra vantagem apontada pelos candidatos únicos é o ‘‘melhor nível’’ da campanha. ‘‘Em situação normal, a campanha vai muito para o lado pessoal’’, diz Gotardo. ‘‘Nossa vida é escrachada em público sem que sejam medidas as consequências, afetando, principalmente, a família do candidato’’. Cacilha, por sua vez, gosta do fato de não ver a cidade dividida. ‘‘Ninguém se desgasta e quem ganha é a comunidade’’.
Em Boa Esperança, Gotardo substituiu a vitória sobre um adversário por uma meta de campanha: quer fazer 70% dos votos válidos (em 1996 ele foi eleito com 48%). ‘‘Sempre tem a oposição que trabalha pelo voto em branco’’, explica. Mesmo assim, ele aprova a campanha mais tranquila. ‘‘Só lembro que estamos em período eleitoral quando saio de Boa Esperança’’, ressalta. ‘‘É uma tranquilidade só’’, completa Cacilha.
Para a eleição sem concorrentes, porém, o candidato único tem de superar a soma dos votos brancos e nulos, como determina o Código Eleitoral.
Tanto Gotardo quanto Cacilha são prefeitos pela primeira vez e chegaram ao poder pela oposição. Gotardo, um ex-técnico agrícola da Emater, é hoje um empresário bem sucedido em Boa Esperança. Já Cacilha é servidor público municipal, com três mandatos pela Câmara de Vereadores. Ele começou a trabalhar na prefeitura em 31 de janeiro de 1972 como motorista do caminhão-pipa que molhava as ruas da cidade.

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