BRASÍLIA - O lançamento da candidatura do senador Íris Rezende (PMDB-GO) à presidência do Senado, para enfrentar o PFL de Antônio Carlos Magalhães (BA), levou preocupação ao Palácio do Planalto porque ameaça a unidade da base governista e o projeto da reeleição-já. ‘‘Há uma série de bombas que podem explodir no governo e não há como desarmá-las’’, resumiu ontem um ministro.
Além do efeito Íris, o que assusta o ministro e o presidente Fernando Henrique Cardoso é a convenção nacional do PMDB, marcada para dia 12 de janeiro. O líder do PMDB na Câmara, Michel Temer (SP), já avisou que antes disso seu partido não votará a reeleição na comissão especial, desarrumando o cronograma do governo que previa a votação dia 8.
Fernando Henrique já foi informado de que o ex-governador Orestes Quércia quer levar 97 convencionais a Brasília. ‘‘Essa convenção é incontrolável’’, avaliou um dos articulistas do Planalto. O Planalto teme a ação do prefeito paulista Paulo Maluf (PPB), que também estaria trabalhando convencionais e deputados do PMDB contra a reeleição. As chances de salvar a agenda da comissão, para que a emenda da reeleição seja votada no plenário da Câmara durante a convocação extraordinária de janeiro, estão por um fio. Representante do PMDB na comissão, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN) disse que, teoricamente, ainda é possível liquidar os dois turnos da emenda no plenário da Câmara em janeiro. Basta que a comissão vote a emenda dia 15, e o plenário faça os dois turnos nos dias 22 e 29.
O problema é que o próprio Planalto considera impossível barrar a candidatura Inocêncio Oliveira (PE) que, uma vez lançada, é imbatível. ‘‘Se o Inocêncio sair, pode esquecer a votação da reeleição’’, resumiu Alves. ‘‘A relação de confiança desmorona e afeta todo o resto’’. Inocêncio confirmou ontem que vai manter sua candidatura à Presidência da Câmara.

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