Brasília - O chamado ''Grupo dos 30'', que reúne parlamentares de vários partidos com atuação independente de suas bancadas, lançou ontem a candidatura de Gustavo Fruet (PSDB-PR) à presidência da Câmara. A candidatura contraria a decisão anterior de parte da bancada do PSDB. Na semana passada, o líder da bancada, Jutahy Júnior (BA), declarou apoio ao petista Arlindo Chinaglia (SP). O outro candidato é o atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP). A eleição será no dia 1º de fevereiro.
Apesar de afirmar que ainda espera pelo aval do seu partido para concorrer, Fruet disse que a candidatura é ''irreversível''. O tucano disse que procurará todos os partidos e estipulou como sua primeira meta convencer a própria bancada a respaldá-lo. ''O PSDB vai ter que definir se apóia o PT ou uma candidatura própria. Estamos confiantes na vitória'', disse. ''É irreversível'', completou.
O lançamento da candidatura alternativa de Gustavo Fruet a presidente da Câmara animou os aliados do presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e causou muita preocupação entre os partidários do candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP). Assim que souberam da decisão de Fruet, líderes partidários, como o do PFL, Rodrigo Maia (RJ), e o do PSB, Renato Casagrande (ES), conversaram com Rebelo e traçaram um quadro otimista para a eleição do dia 1º, segundo o qual o segundo turno está assegurado.
Quanto aos seguidores de Chinaglia, também houve intensa conversação e troca de telefonemas entre os que lideram a campanha, mas todos, como os deputados Ricardo Barros (PP-PR), João Leão (PP-BA), Odair Cunha (PT-MG) e Geraldo Magela (PT-DF), mostravam muita apreensão. A notícia, de fato, foi boa para um lado e ruim para o outro. No atual quadro, dificilmente, o candidato do PT de São Paulo a presidente da Câmara alcançará os 257 votos (metade mais um dos 513 deputados) necessários para vencer a eleição no primeiro turno. Com isso, quem ganha é o presidente da Câmara porque os partidários da candidatura de Fruet (a chamada terceira via), dificilmente, votarão em Chinaglia.
De acordo com as contagens feitas pelos defensores das candidaturas, o candidato do PT de São Paulo a presidente da Casa teria 237 votos, o presidente da Câmara, 225, e o candidato do PSDB do Paraná, 51. Isso se o PSDB, que tem 66 deputados, não mudar o voto anunciado em Chinaglia, pois agora está na disputa. A decisão tomada na semana passada pelo líder do partido na Casa, Jutahy Magalhães Júnior (BA), de fazer uma consulta por telefone aos deputados eleitos e anunciar o apoio a ele causou um racha na legenda.
Com a pressão feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), Magalhães Júnior recuou e anunciou que fará uma nova consulta, desta vez numa reunião e não por telefone. Agora, enfrentará a nova realidade, uma vez que os tucanos também disputarão a presidência da Câmara.
O pefelista Rodrigo Maia acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ''balcão de negócios'' que a Casa se transformou por causa da briga pela presidência. ''Como o presidente Lula não escolheu o ministério, o deputado Arlindo Chinaglia sentiu-se no direito de transformar isso aqui em balcão de negócios'', afirmou.

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