Candidatura de Ciro ameaça a esquerda
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaProfissão de féCiro Gomes (foto): Católico novo que precisa fazer um estágio, segundo José Dirceu, presidente do PTA insistência do ex-ministro Ciro Gomes em se filiar ao PSB para ser o candidato das oposições ao Palácio do Planalto ameaça rachar a frente que está sendo negociada entre PT, PSB, PDT e PPS. Apesar do esforço do PSDB para manter o ex-governador tucano em seus quadros, Ciro quer trocar de partido e concorrer com Fernando Henrique Cardoso em 98. O problema é que o PT o rejeita.
Ciro Gomes não é da esquerda, nem é socialista, criticou o presidente do PT, José Dirceu. Ele é um cristão novo que precisa, antes, fazer um estágio, provocou o petista, irritando os aliados da esquerda. O PPS acha que Ciro pode liderar a frente das esquerdas e não pauta sua ação política pelo PT, rebateu o senador Roberto Freire (PPS-PE). O PT não tem autoridade política para detonar a articulação da candidatura Ciro Gomes, completou o deputado Fernando Lyra (PSB-PE).
A cúpula petista passou o dia ontem em Brasília, movimentando-se para evitar que os partidos de oposição ao governo e os dissidentes governistas precipitem a definição do candidato que vai enfrentar Fernando Henrique. A agenda de José Dirceu e de Luiz Inácio Lula da Silva incluiu não só senadores do PSB, como Antônio Carlos Valadares (SE) e Ademir Andrade (PA), e dissidentes governistas que não apóiam a reeleição, como o senador peemedebista Roberto Requião (PR), e o deputado tucano Almino Affonso (SP), que está sendo cortejado pelo PSB.
Tanto Dirceu quanto Lula estão convencidos de que a discussão de nomes racha a frente. Os dois argumentaram que falar em Ciro agora é ruim, a menos que queiram duas candidaturas: uma de centro e outra de esquerda. Queremos primeiro tirar um programa comum, e depois fazer caravanas para mobilizar o País, ponderou Dirceu em conversa com o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Requião confirmou que sustentará sua candidatura a presidente pelo PMDB e que defenderá a união com as esquerdas em seu partido. O PMDB terá candidato próprio à presidência e eu não desistirei de me lançar como alternativa à política da dentadura de Fernando Henrique, disse o senador.
O PT admite até apoiar um nome fora do partido, que seja consensual entre as esquerdas, mas Ciro Gomes jamais. Temos força suficiente para não engolir nomes inventados de última hora, disse Luiz Inácio Lula da Silva, o nome preferido do partido para disputar o Planalto. Ciro não é invenção de última hora e o PSB não vê problema em testar ninguém; somos bastante experientes para conduzir este processo, devolveu Fernando Lyra.
A briga poderá unir PSB, PPS e PV em torno de Ciro Gomes, deixando de lado o PT. O próprio Ciro confirmou ontem que está aguardando um entendimento entre as esquerdas até o dia 25, para trocar o PSDB pelo PSB. Se a frente decidir que quer minha candidatura, saio do PSDB. O ex-governador defende uma frente ampla, com todos os partidos de esquerda, mas admitiu que, na sequência prática isso está se revelando inviável.
Ainda que a frente decida por outro nome, o PSDB de Fernando Henrique terá de enfrentar uma oposição ruidosa dentro de seu próprio quintal. Se fizerem a opção por outro nome, ajudo de onde eu estou e não saio do partido, disse ao antecipar a dissidência.


