A candidatura de Antonio Belinati (PSL) a prefeito de Londrina será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, admitiu o recurso ajuizado pelo vice-procurador geral eleitoral, Roberto Monteiro Gurgel Santos, e determinou o encaminhamento ao STF.
No recurso, o vice-procurador contesta o julgamento do TSE, do dia 23, que por quatro votos a três, confirmou a candidatura do ex-prefeito. Gurgel argumenta que Belinati não poderia disputar estas eleições, porque teria se filiado ao PSL enquanto cumpria os três anos de inelegibilidade gerados pela cassação do seu último mandato, em junho de 2000. Conforme a lei 9.096/95, somente podem se filiar a partidos políticos, cidadãos de pleno gozo dos direitos políticos. A tese do Ministério Público (MP) é de que a inelegibilidade incidiria sobre a plenitude dos direitos políticos.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que disputou as eleições no dia 3 de outubro e ficou na terceira colocação, entrou como litisconsorte (parte interessada) no recurso. Segundo o deputado, caso o STF julgue procedente os argumentos do vice-procurador, um novo segundo turno, entre ele e Nedson Micheleti (PT), seria convocado pela Justiça Eleitoral. ''Eu sou interessado. Cassando a candidatura do Belinati, será convocado um novo segundo turno e a gente sabe que há casos similares'', disse Hauly, que admitiu que a não declaração de apoio de Nedson se deve a esta possibilidade. ''Estou esperando. A minha decisão está toda centrada nesta possibilidade. A esperança é a última que morre'', afirmou.
O advogado da coligação ''A vitória do povo'' (PSL/PP), Adolfo Góis, acredita que o recurso deva levar três anos para ser julgado no STF. ''Isso (recurso) e nada é a mesma coisa. Ele (Pertence) simplesmente admitiu que fosse enviado ao Supremo. Isso nada muda. Se formos levar em conta estatísticas do Supremo, esse recurso demorará no mínimo três anos para ser julgado'', avaliou.

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