Brasília - Apesar de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter endurecido a legislação, ainda há brechas que facilitam a candidatura de quem disputa um novo mandato. Os deputados e senadores, por exemplo, podem contar com toda a estrutura do Congresso durante a campanha. Desde palanque que garantem discursos no plenário, até TV rádio, jornal, internet. Sem contar dinheiro da verba indenizatória, assessores e a estrutura dos gabinetes.
Dos 513 deputados, 451 devem disputar a reeleição (88%), outros 43 concorrem a governos estaduais, a vice-governador, ao Senado e às assembléias legislativas.
No Senado, 47 dos 81 senadores também disputam um mandato nas eleições de outubro. Os cargos cobiçados são de governador, deputado federal, presidente da República, vice-presidente, vice-governador e senador.
Na prática, esses candidatos vão para disputa em vantagem com relação aos seus adversários que não têm mandatos. Com o Congresso sem recesso e com sessões marcadas apenas para discursos, os deputados e senadores candidatos têm a disposição um palanque permanente, enquanto os demais só poderão fazer campanha em cadeia de rádio e TV a partir do dia 15 de agosto. Tudo o que falam da tribuna é ecoado pelo sistema de comunicação das duas Casas Legislativas.
A Câmara e o Senado dispõem de redes de televisão, emissoras de rádio e agência de notícia em tempo real. A Voz do Brasil também reproduz o que os deputados e senadores dizem nos plenários. O programa, veiculado em rede nacional de segunda a sexta-feira, reserva 20 minutos para divulgar os trabalhos dos deputados e dez minutos para os senadores. Em tempos de pouca produção no Congresso, a Voz do Brasil costuma divulgar entrevistas com parlamentares. Os candidatos aproveitam essa oportunidade para aparecer.
Além do aparato de comunicação à disposição dos parlamentares candidatos, os congressistas ainda contam com estrutura que custa caro para quem não tem mandato. Os deputados e senadores contam, por exemplo, com uma verba indenizatória de R$ 15 mil para gastos com combustível, aluguel de escritório nos Estados e demais despesas na base eleitoral.
Os senadores têm ainda direito a celular e carro com motorista. É comum ainda os parlamentares transferirem assessores para os Estados na época da campanha, todos remunerados com dinheiro público.

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