Candidatos usam 'padrinhos' para fortalecer campanha
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sábado, 29 de setembro de 2012
Edson Ferreira <br>Reportagem Local 
Nestes últimos dias de campanha eleitoral no rádio e na TV - os programas serão apresentados até o próximo dia 4 -, parte dos candidatos à Prefeitura de Londrina aposta na presença de líderes políticos estaduais e nacionais para conquistar os eleitores, especialmente os indecisos. Embora analistas ouvidos pela FOLHA afirmem que a transferência de votos é ''relativa'', as campanhas que decidiram recorrer aos apoiadores populares acreditam na influência positiva junto ao eleitorado. Em Londrina, lançaram mão da estratégia, de maneira mais incisiva, os candidatos Luiz Eduardo Cheida (PMDB), Marcelo Belinati (PP) e Márcia Lopes (PT).
No caso dos petistas, o programa eleitoral apresentou integrantes do primeiro escalão do governo federal, como ministros e deputados, além do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. ''A presidenta Dilma já gravou e também vai aparecer no programa, demonstrando o seu apoio para a Márcia'', antecipou o coordenador da campanha petista, Onaur Ruano. Ele informou, ainda, que Lula pode vir à cidade na semana que vem. Quanto a Dilma Rousseff, ''é certo que virá apenas no segundo turno''.
O candidato do PP, Marcelo Belinati, tem deixado evidente na sua campanha que tem o apoio do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), que já apareceu na TV pedindo votos para o pepista. Por outro lado, o ex-prefeito, cassado pela Câmara em 2000, e tio de Marcelo, Antonio Belinati, assumiu o papel de cabo eleitoral nos bastidores. ''Não vemos a necessidade de registrar o apoio dele na TV, porque isso já está bem evidente para todos'', afirmou o coordenador da campanha, Fernando Nicolau, para quem o programa ''é espaço para apresentarmos as propostas''. Nicolau negou que a ausência do ex-prefeito seja para evitar o desgaste junto a uma parcela do eleitorado que rejeita Antonio Belinati.
Contudo, o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci, avalia que a coligação encabeçada pelo PP prefere deixar o apoio do ex-prefeito ''de maneira implícita, porque o aparecimento dele agora traria prejuízos''. Segundo o professor, ''na hora que aparecer ao lado do tio, Marcelo vai ser bombardeado pelos adversários''. Cenci avaliou que o candidato adotou um discurso ''ambíguo''. ''Sabe que é herdeiro político do tio, mas ao mesmo tempo destaca que é diferente, sem processos judiciais.''
Cheida também buscou declarações de nomes nacionais na sua campanha. Conforme a coordenação de campanha, entre os expoentes estão a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, e o ex-governador Orlando Pessuti. ''Também podem aparecer Roberto Requião (senador) e o Michel Temer (vice-presidente da República)'', informou o assessor de comunicação do PMDB, Lauriano Benazzi.
Na avaliação do cientista político Mário Sergio Lepre, a presença dos políticos famosos na campanha pode causar ''alguma transferência de votos, mas mudar o quadro, não muda''. Ele ressaltou, porém, que o efeito junto ao eleitor é relativo, e depende de como foi estruturada a campanha. ''Cito como exemplo a disputa em São Paulo, onde a campanha do PT está vinculada ao que o Lula estruturou e a influência pode ser maior.''
Lepre disse que em Londrina o apoio de políticos de fora da cidade é mais interessante e tem maior eficácia nas campanhas de Márcia Lopes e Marcelo Belinati. ''Os apoiadores têm algo a mais para oferecer, são vantagens a partir dos cargos que ocupam no Executivo.''
Os três candidatos com menor tempo de propaganda, Alexandre Kireeff (PSD), Barbosa Neto (PDT) e Valmor Venturini (PSOL), optaram pelo discurso local, dispensando a vinda de outros líderes. ''Não acreditamos que essa estratégia traga mudanças significativas'', disse Cláudio Osti, coordenador de rádio e TV do PSD. Segundo o coordenador da campanha do PDT, Carlos Bordin, não há previsão de trazer nenhum líder nacional da legenda. ''O ex-ministro Carlos Lupi esteve aqui no começo, mas foi só.'' Venturini destacou o apoio do ex-candidato a presidente Plínio de Arruda Sampaio num de seus programas e também não trará mais ninguém.


