Candidatos trocam provocações em debate
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terça-feira, 10 de outubro de 2006
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cumprindo a promessa do debate ''olho no olho'', os candidatos ao governo do Paraná Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT) -ex-aliados- trocaram acusações, provocações e deixaram claro que o tom da campanha do segundo turno vai ser bem mais ácido e impiedoso.
Osmar foi o primeiro a chegar ao estúdio da Band, que levou ao ar, na noite de segunda-feira, o primeiro debate do segundo turno. Com ele chegaram o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, o presidente do PSB no Paraná, Severino Araújo, e deputados estaduais. Ao descer do carro, pouco antes das 21h30, o pedetista foi cercado pelos jornalistas e afirmou que esperava detalhar suas propostas.
Requião chegou dez minutos depois de Osmar e disse que o debate deveria ser ''profundo e cortante como a lâmina de uma faca''. Requião chegou acompanhado do governador em exercício, Hermas Brandão (PSDB), do vice Orlando Pessuti e de vários secretários e assessores. O peemedebista não quis posar para foto dos cumprimentos dos candidatos, na entrada.
De forma geral, em relação às propostas, poucos detalhes foram acrescentados. Mas a troca de ferroadas correu solta, principalmente no terceiro bloco, quando candidato perguntava para candidato. Não faltaram pedidos de direito de resposta. Quase no final do debate, Osmar disse que foi convidado por Requião meia dúzia de vezes para coordenar a campanha do PMDB -como já fez uma vez- e sair candidato em 2010, com o apoio de Requião. O peemedebista não rebateu, mas também não poupou ataques ao pedetista.
O debate começou morno, com perguntas da produção, mas os candidatos já davam sinais do que estava por vir. Quando foi abordada a questão dos transportes, Osmar provocou: ''não há um paranaense que não lembre da promessa do baixa ou acaba o pedágio''. Requião insistia na tecla de que Osmar não havia apresentado propostas concretas. Requião ainda criticou o ''abandono'' do sistema de saúde do governo que o antecedeu, referindo-se a Lerner, que agora dá suporte à candidatura de Osmar.
Quando começou o terceiro bloco, com perguntas livres, a temperatura subiu. Osmar chamou Requião de ''Mello e Silva'' (sobrenome do pai de Requião, que usa na política o sobrenome da mãe). O peemedebista não deixou barato. ''Tenho orgulho do nome do meu pai. Espero que você também tenha do seu.'' Por causa das colocações de Requião, Osmar pediu que seu tempo fosse prorrogado. ''Ele pensa que está na Educativa. Aqui é a Band'', reclamou Osmar.
Requião manteve o tom provocativo. ''Eu ainda não vi nenhuma proposta concreta do senador'', disse, oferecendo seu tempo para que Osmar falasse algo ''sem a ajuda do teleprompter'' (vídeo que mostra as falas que precisam ser lidas). Osmar rebateu a acusação de que não teria mostrado propostas. Disse que Requião estaria ''atordoado''. ''Nossas propostas estão no horário eleitoral gratuito'', defendeu-se Osmar. Requião afirmou que Osmar estava sendo ''malcriado''. Osmar disse então para Requião falar a verdade ''uma vez na vida''. Apesar da intensa troca de provocações, o nepotismo, um tema que teve destaque no primeiro turno, não foi combustível para ataques neste debate.
Para ontem à noite estava marcado um debate na TV Educativa, do Estado, entre os candidatos a vice Orlando Pessuti e Derli Donin. No entanto, Donin avisou que não iria porque tem compromissos no Interior. Provocada pela coligação de Osmar, a Justiça Eleitoral entendeu que, com apenas um candidato, o debate não poderia ser realizado.
Apesar de várias rádios e TVs estarem organizando debates, Osmar só deve participar do debate da TV Paranaense, marcado para o dia 26. Isso porque sua agenda será concentrada no Interior nas próximas semanas. Requião avisou que vai comparecer a todos os debates, inclusive do da TV Paranaense.


