Candidatos trocam acusações
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Maigue Gueths<br> De Curitiba 
No dia 28 de novembro, 20 mil alunos, 1,7 mil professores e 7 mil técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) irão às urnas para eleger o futuro reitor e escolher quem vai dirigir os trabalhos da instituição nos próximos quatro anos. Duas chapas disputam a eleição: ''Universidade plural, dinâmica e participativa'' e ''Ser UFPR- democracia pra valer''. A disputa promete ser acirrada. O primeiro debate entre os candidatos foi realizado ontem em Curitiba e os integrantes das duas chapas trocaram acusações.
O médico e professor Carlos Augusto Moreira Junior e seu vice, o economista Aldair Rizzi, da ''Universidade plural, dinâmica e participativa'', acusam a chapa adversária de ter sido criada dentro dos gabinetes da atual reitoria. O advogado Luiz Edson Fachin e o vice, o biólogo Waldemiro Gremski, da chapa ''Ser UFPR- democracia pra valer'', rebatem a acusação e afirmam que de nada adianta rotular-se oposicionista dentro da universidade, quando junto à sociedade seus oponentes não atuam como oposição.
Muitos eleitores ainda estão em dúvida em quem votar. Ao contrário de eleições anteriores, os apoios e forças políticas estão divididos. Tanto que nenhuma entidade representativa das categorias -Sindicato dos Professores, Sindicato dos Servidores e Diretório Central dos Estudantes- tem candidatura única, uma vez que seus diretores estão divididos entre aqueles que apóiam Moreira e os que estão com Fachin.
Moreira afirma que sua candidatura não tem partido politico. Ao contrário, diz que trata-se de uma proposta de união. ''É hora de parar com a separação, a fragmentação em pequenos grupos ou a universidade corre risco de ficar no continuísmo'', diz. Sua crítica ao atual reitor Carlos Antunes é que ele estaria adotando uma política de alinhamento automático às regras do Ministério da Educação.
Fachin rebate as acusações, dizendo-se contra as políticas públicas adotadas pelo ministro da Educação, Paulo Renato, para as instituições federais de ensino superior. Sobre o apoio do atual reitor, diz que ''em nenhum momento Antunes falou em privatizar o Hospital de Clínicas''. Ao contrário de Moreira, que teria declarado recentemente ser a favor da criação de uma fundação para angariar recursos para o HC. ''Na nossa gestão, a universidade será independente e autônoma, e o HC tem que continuar público e universitário, ou seja, sob a responsabilidade do poder público e como um hospital-escola'', afirmou.
Os programas de cada chapa contêm muitas propostas parecidas. Ambos, por exemplo, defendem a universidade pública, gratuita e com qualidade. A diferença é que Moreira defende uma universidade com ''mais qualidade e mais compromisso social''. ''A universidade tem que se abrir para a sociedade, levando o conhecimento adquirido aqui dentro para projetos de extensão junto à população'', explica Moreira. Já Fachin se compromete com a maior socialização das informações e com a democratização da administração da universidade.
O próximo reitor da UFPR será responsável pela administração de um orçamento anual próximo a R$ 250 milhões, maior do que a maioria dos 399 municípios paranaenses.


