Barbosa Neto (PDT) e Luiz Eduardo Cheida (PMDB) foram os que ousaram um pouco mais. Farage Kouri (PFL) foi acuado em alguns momentos, mas tratou de ser veemente na defesa do prefeito cassado Antonio Belinati e do governador Jaime Lerner. Nedson Micheleti (PT) quis paz entre todos. E Luiz Carlos Hauly (PSDB), defendendo Fernando Henrique, fez valer seu traquejo em responder questões. No geral, o primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Londrina (na TV Londrina/Bandeirantes, anteontem à noite) foi morno.
Cheida partiu para o ataque a Barbosa e a Hauly – os dois primeiros na Pesquisa Folha. Já Barbosa disparou contra todos. Na véspera, todos haviam prometido que evitariam agressões e usariam o tempo – de quase três horas – para falar de propostas e idéias, o que não aconteceu. Eles apenas listaram projetos. O debate foi mediado por Cacau Negreiros, de Cascavel. O formato de perguntas dos candidatos entre si em quatro dos seis blocos – favoreceu Barbosa, que é jornalista de TV.
O pedetista foi o que mais atacou. Sua primeira pergunta, dirigida ao petista Nedson Micheleti, lembrou que o candidato está em último lugar nas pesquisas. Barbosa disse que o PT teve dificuldade depois do mandato de Cheida na prefeitura (93-96) para eleger um vereador. ‘‘O PT foi ruim ou foi o Cheida?’’, disparou. O ex-prefeito passou 17 anos no PT.
O troco viria a seguir. Cheida questionou Barbosa sobre sua fama de ‘‘agressivo e descontrolado’’ e perguntou se ele manteria o mesmo discurso de chamar Lerner de ‘‘porco’’. Ele negou ser agressivo, mas disse que repete todas as críticas. ‘‘Na época disse que ele estava gordo que parecia um porco e não via os problemas. E aí não vai nenhuma crítica aos obesos.’’
Farage tomou as dores de Lerner e disse que Barbosa não deveria discutir a obesidade do governador. ‘‘É cair na vala comum daqueles que não se preparam.’’ O pedetista perguntou a Cheida se ele teria coragem de pedir votos ao funcionalismo depois de ter atrasado os salários dos servidores no final do mandato e não ter tido coragem de entregar as chaves para o sucessor – Belinati. Cheida alegou que a crise o impediu de pagar os salários.
Cheida questionou Hauly sobre a possibilidade de o tucano aumentar impostos para estancar o déficit do município, estimado em R$ 3 milhões por mês. Ele disse que não pretende elevar impostos, quando Cheida mostrou um exemplar de um jornal de Cambé apontando que, na gestão de Hauly como prefeito do município vizinho, o IPTU subiu 600%. O tucano alegou que o aumento se justificou porque ‘‘a inflação era de 2.500%’’.
Farage questionou Cheida sobre o fato de o ex-prefeito ter reduzido o atendimento no posto de saúde do Conjunto Maria Cecília, causando ‘‘transtornos’’ à população. Cheida disse que a própria população reivindicou, o que foi negado por Farage. ‘‘Onde fica o posto do Maria Cecília?’’, perguntou o peemedebista. ‘‘Não é questão de saber onde fica e sim que o senhor disse que construiu 15 mil metros quadrados de postos e isso não é verdade.’’ ‘‘Não vamos discutir sobre o que você não sabe. O senhor não sabe nem onde fica o posto’’, disse Cheida.
Farage ficou tenso com a pergunta seguinte, feita por Barbosa. O pedetista acusou a empresa de confecções de Farage de ser a ‘‘campeã de ações na Justiça do Trabalho’’ e de pagar o 13º das costureiras com ‘‘calças jeans e camisetas’’. ‘‘Alguém em Londrina come calça jeans ou camiseta?’’, perguntou Barbosa. Farage considerou a questão ‘‘ridícula, mentirosa e hipócrita’’ e negou. ‘‘Nunca deixei de pagar uma ação, se é que houve. Além do mais, não produzimos calças jeans nem camisetas.’’
Hauly centrou suas observações durante o debate em sua ‘‘experiência, competência e honestidade’’. Em alguns momentos, ele falava como se já estivesse eleito. Todos os candidatos prometeram resgatar a credibilidade da prefeitura, reduzir o déficit, ampliar o atendimento à saúde e educação, além de fazer investimentos em segurança. Ao telespectador, ficou a impressão de que é fácil a obtenção de recursos estaduais e federais e que a crise nos cofres públicos, agravada com os rombos noticiados, será contornada sem dificuldade.

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