O ex-vice-prefeito de Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão), Lair Pedro Maggioni (PPB), conseguiu reverter a impugnação de sua candidatura junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Maggioni é candidato a vice-prefeito novamente, mas teve sua candidatura impugnada por ter sido reprovado em um teste de alfabetização realizado pela juíza Elisiane Minasse, da comarca de Mamborê.
Além de Maggione, o TRE acatou recursos dos vereadores Tarci Muller e Laércio de Almeida Cristino, ambos do PSC, quem também haviam sido reprovados no mesmo teste e estavam impedidos de disputar a reeleição. Os três são agricultores.
Ao todo, o teste realizado pela juíza reprovou nove candidatos de Mamborê e do município vizinho de Boa Esperança. Todos recorreram da reprovação relacionada à alfabetização. O relator do caso no TRE, Valter Ressel, disse, em sua análise, que para impedir uma candidatura, o analfabetismo tem que ‘‘ser completo’’.
‘‘(Maggioni) não se saiu tão mal a ponto de ser considerado incapaz de exercer o direito político passivo no plano municipal, máxima em pequena cidade do interior, como é o caso’’, escreveu Ressel. ‘‘É certo que (ele) cometeu graves erros ortográficos, mas não o suficiente para impedir que, com um pouco de esforço e paciência, que nós mais afortunados pela sorte temos o dever de dedicar aos menos favorecidos, leia-se e se extraia razoável compreensão do sentido do texto manuscrito.’’ A mesma decisão valeu para os dois vereadores.
A sucessão municipal em Mamborê, no entanto, continua agitada. Na semana passada, a Câmara de Vereadores reprovou as contas relativas ao exercício de 1995 do ex-prefeito Armando Alves de Souza (PPB). Ele é candidato a prefeito, na mesma chapa de Maggioni e corre o risco de ficar inelegível com a reprovação. O outro candidato é o atual prefeito Ricardo Radomski (PSDB).
A advogada contratada por Souza, Cila Viana Pereira, disse ontem que já entrou com uma ação na Justiça pedindo a anulação da decisão da Câmara de Vereadores. ‘‘O ex-prefeito não teve oportunidade de defesa’’, afirmou a advogada. Ela disse também que, dos nove vereadores do município, seis são da coligação adversária. ‘‘Essas contas não seriam aprovadas nunca’’, ressaltou. Segundo Cila Pereira, faltou ‘‘imparcialidade’’ na votação e foi ‘‘estranho’’ as contas serem votadas em época eleitoral.

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