Os candidatos que têm programa de rádio e de televisão nas emissoras do Paraná se despedem dos ouvintes amanhã para voltar ao ar somente depois das eleições de outubro. A legislação eleitoral caça os microfones a partir de sábado, dia 1º, impedindo os candidatos de fazer assistencialismo e de se favorecerem eleitoralmente.
Diversos radialistas eleitos deputados em 94 graças à popularidade conquistada nos programas, e que buscam a reeleição, são atingidos. Dentre eles, quatro puxadores de voto: Ricardo Chab (PTB), Carlos Simões (PTB), Luiz Carlos Alborghetti (PFL), Luiz Carlos Martins (PFL). Todos aliados do governador Jaime Lerner (PFL).
Cerca de 15 parlamentares possuem programas de rádio e de tevê em todo o Paraná. Marquinhos Alves (PTB) é âncora de um programa diário na rádio Atalaia em Maringá, o ‘‘Show do Marquinhos’’. Ele já elegeu seu irmão, Reginaldo Alves, para substituí-lo durante a ausência. Edson Silva Lino (PPB), também repassou há um mês seu programa na rádio Clube de Faxinal, de sua propriedade, para o filho Adilson Silva Lino.
Arquivo FolhaFederalLuiz Eduardo Cheida avisou seus eleitores que estava deixando programaCom medo de questionamentos jurídicos, Plauto Miró Guimarães (PFL) antecipou-se e deixou o microfone, na rádio Clube Pontagrossense, há semanas. Assim como ele, Silva Lino entende que a legislação eleitoral não é clara ao fixar os prazos para a ‘desincompatibilização’. Já Luiz Carlos Alborghetti está se empenhando para não disperdiçar seus últimos minutos no ar. Ontem, em meio ao seu programa policial, fez um relatório dos projetos que pretende encaminhar à Assembléia, na clara intenção de angariar votos.
O vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio (PTB), também vai ficar fora do ar. Seu programa diário de entrevistas e de atendimento ao público, na Rádio Clube, ficará suspenso. Cleiton Crisóstomo, filho do conselheiro do Tribunal de Contas Kielsen Crisóstomo, fez seu último programa na tevê Bandeirantes sábado passado. E Hidekazu Takayama (PFL), Orlando Pessuti (PMDB), Toti Colaço (PMDB) e Valdir Rossoni (PTB) aproveitam até a amanhã para passarem suas mensagens finais.
Diversas lideranças no Paraná fizeram do rádio trampolim político. O prefeito de Londrina Antonio Belinati (PDT) e o candidato ao Senado pelo PSDB, ex-governador Álvaro Dias, são exemplos clássicos. No final da década de 60, os dois respondiam pelo programa ‘‘Aconteceu’’, com audiência em todo o interior do Estado.
Em Londrina, cinco candidatos terão de deixar a TV como determina a lei eleitoral. Todos têm programas na rede CNT. Dois disputam cadeiras na Câmara dos Deputados - Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Luiz Eduardo Cheida (PT) - e três vão concorrer a uma vaga na Assembléia Legislativa - Antônio Carlos Belinati (PSB), Homero Barbosa Neto (PPB) e Moysés Leônidas (PDT).
O deputado José Janene (PPB) também tinha programa na CNT, mas saiu do ar no dia 30 de junho. ‘‘Eu teria de mudar o nome do programa e ele ficaria descaracterizado’’, justificou. Os candidatos que ainda estão no ar já estão se despedindo do público. ‘‘Volto no dia 5 de outubro’’, anunciou Barbosa Neto (PPB). ‘‘Ainda temos muito o que conversar’’, disse Cheida, recentemente.
O deputado Durval Amaral (PFL), de Cambé, também terá de deixar o microfone. Ele mantém um programa de meia hora de duração numa rádio de Curitiba, que entra em cadeia com uma emissora de Cambé, seu domicílio eleitoral. (Colaborou Patrícia Zanin).

mockup