Uma candidata à Assembleia Legislativa do Paraná pelo PSD pede votos com o compromisso de oferecer saúde de qualidade. A promessa é praticamente idêntica à de outro companheiro de partido, que pede votos para "lutar contra a escassez de recursos" na saúde. Já um petebista, pleiteando vaga na mesma Casa, quer "melhorar a saúde, educação e segurança". Por outro lado, segundo a propaganda eleitoral do PT, quem vota nos candidatos da legenda "está votando por mais segurança, mais saúde, mais educação", diz o apresentador.
O discurso dos candidatos a todos os cargos – seja a governador, senador ou deputado estadual e federal – é baseado em quatro pilares que se repetem concomitantemente: mais saúde, mais educação, mais segurança ou "voto de mudança". "Chega de mesmice" e "quero ajudar a mudar isso" estão entre as frases de candidatos.
Com tempo exíguo, as promessas dos candidatos aos cargos proporcionais não vão além dos termos chavão, mas também não citam ou incitam outras discussões importantes, como as reformas política e tributária.
Além de mudança, candidatos que "defendem a família" passam a tomar posição de destaque e um dos candidatos ao Senado Federal pelo Paraná chegou a adotar como nome de urna Adilson Senador da Família (PRTB). Ele, aliás, já chegou a se colocar como opção de voto de protesto em seus programas no horário eleitoral gratuito.
Por outro lado, há os candidatos que se apoiam na tradição da família na política para tentar uma vaga na AL, como Requião Filho (PMDB), Luiz Hauly (PSDB) e Felipe Francischini (SD). Eles são filhos, respectivamente, do candidato ao governo Roberto Requião (PMDB), e dos candidatos a deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Fernando Francischini (SD). Todos remetem sua atuação aos pais.
Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, com pouco tempo na tevê, os candidatos fazem uma mera figuração e se ancoram em frases de efeito, elaboradas por marqueteiros com base naquilo que os eleitores supostamente querem ouvir.
Com isso, acabam esvaziando até mesmo a discussão aprofundada sobre temas importantes, como a rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), há quase duas semanas. "Isso não foi citado pelos candidatos. O problema prisional é gravíssimo e isso passa ao largo dos programas eleitorais", diz.

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