Candidatos reclamam de regras rígidas
Engessado, rígido, morno, frio. Para boa parte dos candidatos ouvidos pela Folha após o debate de anteontem na TV Coroados, essa foi a avaliação do último encontro do gênero organizado no primeiro turno da eleição municipal de Londrina.
Para o deputado federal Alex Canziani (PTB), o evento foi ''morno''. ''Não deu para aprofundar diversas questões, mas não deixa de ser uma maneira de a população nos avaliar'', comentou.
Opinião semelhante foi compartilhada por Luiz Carlos Hauly, candidato pelo PSDB. ''Esse debate foi mais engessado, mais estreito, mas creio que será possível chegar ao segundo turno mesmo assim'', apostou.
Elza Correia foi no coro dos adversários, com uma diferença: a aparente frieza do evento teria uma razão específica. ''As regras foram engessadas, mas a ausência de um dos candidatos complicou. É um fujão, e isso deixou o encontro frio'', resumiu.
Naudemar Nascimento (PV) considerou a oportunidade ''uma experiência a mais na vida pessoal e política'', apesar de ter apontado um aspecto negativo: ''Salientaram demais a ausência do Belinati. Quanto mais se fala nele, mais se evidencia o sujeito'', opinou.
Segundo o candidato do PMN, Félix Ribeiro, o evento foi mais rígido que o do último domingo, mas também contou com a ''oportunidade de certas máscaras caírem''. Barbosa Neto foi mais taxativo: ''Foi um encontro cerceador da opinião dos candidatos, pois privilegiou uns em detrimento de outros'', declarou, referindo-se a um pedido de direito de resposta negado a ele pela comissão do programa. ''Não me deixaram dizer que o Belinati foi expulso do meu partido em 1998'', ilustrou.
O único a destoar do grupo foi o candidato à reeleição, Nedson Micheleti (PT). O atual prefeito se mostrou aliviado e admitiu que foi preparado para ser novamente o alvo dos adversários. ''Tirando os questionamentos, cada um manifestou seus projetos, seus pontos de vista. E dessa vez foram críticas mais políticas, o que torna mais fácil meu contraponto'', acredita. Nedson não quis falar sobre um suposto aumento da dívida ativa do município, colocada por Hauly.
De acordo com o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, os números passados peleo tucano conferem, mas não refletem o argumento dele. ''O balanço de dezembro de 2000 era menor mesmo, mas não refletia a consolidação das dívidas de R$ 115 milhões da Caapsml e de R$ 40 milhões do pagamento de INSS da Frente de Trabalho'', explicou. ''As administraçõess anteriores não pagaram os benefícios a esses trabalhadores, e isso vem repercutindo agora''.
A respeito das críticas dos prefeituráveis, o chefe de redação da Coroados, Ossamu Nonaka, alegou que as regras do programa foram analisadas, discutidas e aprovadas pelos candidatos. ''Se deixássemos as cordas soltas, poderia haver injustiça'', apontou, para completar: ''Em vez de responder as questões, alguns gostam de fazer discurso, jogar sal na água do outro, e isso acaba perdendo tempo para expor propostas. Mas foi positivo para o eleitor indeciso, mesmo assim''. (J.G.)





