Candidatos questionam aumento para PMs
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os principais candidatos ao governo do Estado criticaram ontem a decisão da atual administração em dar aumento para os policiais militares. A crítica não é contra o aumento em si, e sim ao fato de que o benefício virá em três parcelas anuais, a partir de janeiro de 2003. Ou seja, no próximo governo.
O secretário estadual de Administração, Ricardo Smijtink, não confirmou os percentuais de aumento a serem propostos na mensagem que seguirá para a Assembléia Legislativa ainda esta semana. Segundo ele, esses percentuais vão variar conforme a categoria ocupada pelo policial militar. O único dado confirmado pelo secretário é de que o salário inicial dos soldados passará de R$ 668,11 para R$ 841,64, ou seja, um reajuste de 26%.
Roberto Requião (PMDB) disse que ''(o governador Jaime) Lerner (PFL) quer continuar governando pelos próximos quatro anos, por isso toma essas medidas''. Ele reconheceu que não conhece o teor completo da proposta, mas ainda assim a considera uma ''bomba relógio armada para o próximo governador''.
Alvaro Dias (PDT) afirmou que a medida não terá valor nenhum. ''A Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação eleitoral existem justamente para impedir esse tipo de atitude eleitoreira'', classificou. Segundo ele, como a medida tem vício de origem pode ser questionada juridicamente.
O candidato do PT, Padre Roque Zimmermann, considera que o anúncio do aumento salarial é uma tentativa do governador de justificar o que ele não fez em quase oito anos de administração. ''O aumento é justo, temos que fazer ainda mais do que o que está sendo proposto, mas o momento é equivocado'', ressaltou.
Segundo o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), o governador prometeu encaminhar até sexta-feira aos deputados a mensagem com o plano de carreira dos policiais militares. Brandão pretende liquidar a votação do projeto na próxima segunda e terça-feira, mesmo que para isso seja necessário transformar o plenário em comissão geral.
Brandão estuda ainda a possibilidade de cancelar as sessões até 6 de outubro. ''Depois que votarmos o projeto da PM, se não houver nada mais importante, não faremos mais sessões'', declarou. Ele vem recebendo pressões dos deputados, que querem tempo para percorrer o Interior em busca de votos.
As mulheres dos policiais militares estavam reunidas ontem à noite para definir os rumos do movimento. Elas prometem uma decisão para hoje. (Colaborou Maria Duarte)


