Curitiba - Ao contrário do horário eleitoral gratuito, o primeiro debate do segundo turno entre os candidatos a prefeito de Curitiba foi picante. Ângelo Vanhoni (PT) fez questão de frisar inúmeras vezes que Beto Richa (PSDB) é o vice-prefeito de Cassio Taniguchi (PFL), vinculando assim o candidato do PSDB à administração atual. Já Beto direcionou perguntas com o objetivo de revelar que o petista não tinha domínio sobre temas da cidade, como as tranferências correntes da Prefeitura, por exemplo. O debate, que foi ao ar na noite de quinta-feira na TV Bandeirantes, durou duas horas.
Vanhoni chegou a dizer que Beto precisaria de um calmante. A assessoria jurídica da TV Bandeirantes teve trabalho com os diversos pedidos de direito de resposta. No final do debate, quando as drogas estavam em pauta, Beto lembrou que Vanhoni já havia admitido, no passado, ter experimentado droga. Vanhoni respondeu que nunca sucumbiu, pois sempre teve o apoio e orientação de sua família. O petista lembrou ainda que foi presidente da CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa.
Foram abordados diversos temas, entre eles os gastos previstos no Orçamento Municipal de 2005. Foram questionados os investimentos na área social.
A proposta de segurança de Vanhoni integrar a Guarda Municipal com as polícias Civil e Militar foi questionada por Beto. ''Por que isso não ocorre em Londrina, onde a prefeitura é do PT?'', polemizou. Já Vanhoni atacou a situação da educação infantil em Curitiba que, segundo ele, é um ''desastre''.
O transporte coletivo também rendeu muita discussão. Beto disse que baixou a tarifa de ônibus durante sua interinidade em janeiro, alegando não saber as razões do aumento. E reclamou que não teve chance de expor suas idéias na atual administração. Vanhoni não perdeu a chance. Disse que ficaria ''muito feliz'' se o comportamento em Curitiba fosse igual ao do vice-presidente, José Alencar (PL), que já questionou a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Governo Lula, aliás, foi alvo de crítica em relação à geração de empregos. Já virou tradição nos debates Vanhoni ter que defender o governo federal. Beto cobrou a promessa de geração de 10 milhões de empregos no País.
O debate esquentou durante a discussão sobre as favelas da cidade. Vanhoni disse que Beto foi secretário de Obras e que poderia ter urbanizado pelo menos uma favela. Beto respondeu, declarando que o grupo político de Vanhoni estimulou invasões.

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