Candidatos não empolgam em Curitiba
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sábado, 25 de setembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A última pesquisa Ibope, divulgada nesta semana, sobre a sucessão em Curitiba, mostra que 12% dos 1.179.223 eleitores da cidade ainda não sabem em quem votar para prefeito. Muito da indecisão é pela falta de conhecimento dos candidatos.
Nenhum dos cinco principais postulantes à sucessão de Cassio Taniguchi (PFL) na Prefeitura de Curitiba tem currículo político invejável ou fez algo de grande impacto para a cidade. Ângelo Vanhoni (PT), Beto Richa (PSDB), Mauro Moraes (PL), Osmar Bertoldi (PFL) e Rubens Bueno (PPS) estão há três meses brigando pela preferência do eleitorado, que decidirá no dia 3 de outubro a quem vai confiar o comando da cidade.
Vanhoni sempre se opôs a Cassio Taniguchi, que deixa o poder depois de oito anos. Uma oposição 'light', diga-se de passagem. Beto, Bertoldi e Moraes fazem ou já fizeram parte do grupo político de Cassio. Bueno não pode ser classificado nem como aliado nem como de oposição à atual administração, porque somente agora é que se mostra arraigado na cidade. Sua projeção se deu como deputado, estadual e federal, e prefeito de Campo Mourão.
Apenas Bueno (como prefeito) e Beto (vice de Cassio) têm passagem também pelo Poder Executivo. Vanhoni, Moraes e Bertoldi sempre tiveram suas atuações restritas ao Poder Legislativo, seja como vereador ou deputado estadual.
Vanhoni já tentou se eleger prefeito de Curitiba, mas fracassou, em 1996 e 2000. Em 1996, conseguiu 83.052 votos, contra os 414.648 de Cassio Taniguchi. Em 2000, chegou perto. Cassio, que se reelegeu, obteve 378,9 mil votos (43,9% dos votos válidos), contra 304,9 mil de Vanhoni (35,37%). Houve segundo turno e a diferença entre Cassio e Vanhoni ficou em torno de 26 mil votos.
Vanhoni é criticado internamente no partido por ter um perfil mais ''light''. Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ala mais ferrenha do PT não vê com bons olhos o discurso mais ameno.
Depois de dois mandatos como vereador de Curitiba, Vanhoni ganhou mais visibilidade como deputado estadual, na época em que presidiu a CPI do Narcotráfico da Assembléia, há quatro anos. Como deputado, conseguiu aprovar, em 2002, a Lei Estadual de Incentivo à Cultura no Estado. No entanto, ela não vigora. Foi contestada pelo ex-governador Jaime Lerner (PSB) e está sub judice no Supremo Tribunal Federal (STF).
A carreira de Beto Richa nasceu dentro do PSDB, partido criado em 1988 que teve seu pai, o ex-governador José Richa, como um dos fundadores. Com a morte de Richa, em dezembro do ano passado, Beto começa a buscar brilho próprio.
Richa fazia gosto de que Beto seguisse seus passos, mas várias vezes discordou das escolhas do filho. O ex-governador não gostou, por exemplo, da tentativa de Beto de ser vereador, em 1992. Beto não conseguiu se eleger. Desiludido com a derrota nas urnas, quase não aceitou ser candidato a deputado estadual pelo PSDB dois anos depois.
Mas desta vez foi eleito. Tinha 29 anos quando assumiu a cadeira como parlamentar, em 1995. Fez um mandato municipalista. Não era afeito a discursos na tribuna e a críticas. Reelegeu-se quatro anos depois.
Nos seis anos que ficou na Assembléia, Beto conseguiu aprovar duas leis de sua autoria: uma que prevê a indenização de presos políticos da ditadura militar, copiada por outros estados, e outra que determina que os bancos instalem câmeras de segurança nos caixas eletrônicos.
Em 2000, graças a uma composição entre o PFL e o PSDB para a reeleição do prefeito Cassio Taniguchi, Beto foi eleito vice. Acumulou a Secretaria Municipal de Obras. Em 2002, lançou-se candidato ao governo do Estado. Durante a campanha, tentou desvincular sua imagem da do ex-governador Jaime Lerner (PSB), sem muito sucesso. Foi derrotado por Roberto Requião (PMDB).
Nesta campanha, faz o mesmo em relação a Cassio, mas em nenhum momento renunciou ao cargo de vice. Criou polêmica no início deste ano, quando substituiu o prefeito, que havia viajado ao exterior após anunciar aumento de R$ 1,65 para R$ 1,90 nas tarifas de ônibus. (Colaboraram Luciana Pombo, Rodrigo Sais e Leandro Donatti)


