A maioria dos candidatos ao Senado Federal pelo Paraná apresentam conhecimentos superficiais acerca da função que se propõem assumir, na opinião dos professores de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart Júnior e Elve Cenci. Eles foram convidados pela FOLHA para analisar a série de entrevistas que o jornal publicou com os oito postulantes ao cargo. As respostas foram publicadas em seis edições, de 12 a 14 de agosto e de terça-feira última até ontem.
Os candidatos Adilson Senador da Família (PRTB); Alvaro Dias (PSDB); Castagna (PSTU); Luiz Bárbara (PTC); Marcelo Almeida (PMDB); Professor Piva (Psol); Mauri Viana (PRP); e Ricardo Gomyde (PCdoB) responderam a questionamentos feitos pela reportagem.
Todos foram abordados sem conhecimento prévio dos assuntos e tiveram de responder de pronto, sem tempo para elaborar as respostas e sem a ajuda de assessores. As respostas também foram objetivas, a pedido da FOLHA. Além das seis perguntas, também foram veiculadas informações sobre os candidatos, como domicílio eleitoral, partidos que já pertenceu e quais eleições já disputou.
Cenci avaliou que os representantes do PSDB, PMDB e PCdoB aparentam ter mais intimidade com a função do senador, o que pode ser reflexo da proximidade deles com setores do poder – Alvaro, senador e ex-governador do Paraná, tem vasta carreira política; Almeida é ex-deputado federal; e Gomyde tinha cargo no Ministério do Esporte, em Brasília. "Os outros, de partidos menores, têm respostas mais genéricas", percebeu.
Já Bannwart, com base no foco que cada um diz ter em caso de eleição, vê preparo apenas no tucano, que tenta a reeleição. "Em linhas gerais, demonstra-se que algumas candidaturas postulam o cargo de forma avulsa, com completo desconhecimento do ofício institucional do Senado Federal e sem nenhuma sintonia com seu próprio partido", afirmou o sociólogo.
Para ele, a qualificação dos candidatos é um ponto "que também ajuda a sinalizar a fragilidade de nossa estrutura política". Na visão de Bannwart, o ponto mais urgente que deve orientar o interesse do Congresso Nacional, as reformas política e tributária, foram mais incisivamente citadas por Alvaro.
Cenci enxergou nas propostas de mandato dos candidatos de partidos menores certo desconhecimento do ofício, revelados por uma vaga ideia das funções de um senador. "Tive a sensação de serem muito mais candidatos que estão ocupando um espaço e aí há uma lacuna na formação desses homens públicos, que seriam aceitáveis na fala de um vereador, mas não a quem se propõe a representar um Estado no Senado", afirmou.
A análise converge com a opinião de Bannwart, já que há defesas que fogem ao exigido para a função de um Senador. "Por exemplo: restringir o cumprimento do mandato a uma comunidade ou região específica do Estado, ou a um segmento social. São visões que atestam a falta de compreensão do aspecto institucional e constitucional do exercício político."

Descrença no Congresso
A descrença na seriedade da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, ressaltada por todos os candidatos, preocupou Bannwart, devido ao ceticismo institucional na ferramenta que eles próprios dispõem para investigar indícios de corrupção. Para ele, ao transferir a responsabilidade da apuração para outras instâncias da administração ou do Judiciário, "estão abrindo mão da competência de fiscalização e de investigação que é próprio do Congresso Nacional".
O especialista também criticou o desconhecimento de Adilson acerca do orçamento impositivo, que disse "não ter analisado", e a defesa do PSTU de que isso deve ser decidido pela população. No primeiro caso, mostra desinteresse do candidato pela função. No segundo, indica o esquecimento de que o sistema político no Brasil é representativo e cabe ao Congresso Nacional as definições do orçamento, já que foram eleitos para representar a população.

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