No segundo debate televisivo da campanha eleitoral em Londrina, realizado na noite de terça-feira pela TV Cidade/Rede Massa, os candidatos à prefeitura se esquivaram de temas importantes, como a corrupção e a atual crise política, e o formato livre do programa deixou o líder nas pesquisas recentemente divulgadas, Marcelo Belinati (PP), exposto aos ataques dos outros opositores. Esta é a opinião de dois analistas políticos ouvidos ontem pela FOLHA.
No segundo bloco, as perguntas eram de tema livre e o candidato sorteado pôde escolher quem questionar. Assim, Marcelo, vereador licenciado, foi alvo de quatro das seis perguntas do bloco. Somente Márcia Lopes (PT) não questionou o pepista. Barbosa Neto (PDT) falou sobre seu suposto ''baixo desempenho'' como vereador; Valmor Venturini (PSOL) questionou sobre como abrigar lideranças dos 16 partidos que formam a coligação do pepista; Cheida (PMDB) apontou falta de efetividade na fiscalização da Câmara nos problemas na saúde; e Kireeff perguntou sobre política industrial.
''O Marcelo teve visibilidade maior por estar na frente em pesquisas e essa estratégia dos demais candidatos acabou deixando o debate um pouco desequilibrado'', analisou Elve Miguel Cenci, professor de filosofia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Ele adotou o estilo ''paz e amor'', que é o estilo do tio (o ex-prefeito Antonio Belinati) e não respondeu aos questionamentos.'' Elve acredita que o estilo convence uma parte do eleitorado. ''Para quem acompanha a política mais à distância, acredito que se saiu bem. Mas para os eleitores mais exigentes, faltou o verdadeiro debate, a discussão mais aprofundada das propostas.''
Para o professor, Kireeff manteve seu estilo mais técnico, ''enfocando a perspectiva de gestor, de tornar o poder público mais eficiente''. Valmor Venturini ''cutucou temas polêmicos e levantou questões indigestas'', mas, seu desempenho pessoal não foi bom. ''Parecia confuso, bastante perdido em algumas respostas.'' Ainda segundo o viés do analista, Márcia Lopes ficou ''bastante apagada, apesar de ter apresentado algumas propostas'' e Cheida apegou-se muito ao tema da saúde. ''Poderia ter abordado outros assuntos.''
Quanto ao ex-prefeito Barbosa Neto, Elve o considerou ''abatido'', porém, mais agressivo do que no debate anterior. ''Ele não conseguiu reverter o processo de cassação e não está muito bem nas pesquisas, o que se reverte em seu posicionamento'', avaliou. ''Ele, apesar dos problemas recentes, não é o foco dos outros candidatos. O foco é o Marcelo.''
Lacuna
Para Elve, a maior lacuna do debate foi a ausência da discussão sobre a situação atual da prefeitura, em que o prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido) assumiu ter recebido propina e recusa-se a deixar o cargo. ''Os candidatos deveriam ter se posicionado de maneira contundente sobre como impedir que isso se repita.''
O professor Clodomiro Bannwart, que também leciona filosofia política na UEL, considera que a crise foi um tema marginal no debate. ''Tinham liberdade de avançar mais, pelo próprio formato do programa, mas os candidatos não o fizeram.'' Bannwart tem uma tese para o comportamento dos prefeituráveis: apenas Kireeff (que foca a eficiência na administração) e Valmor (que ataca o lado político) têm algo de novo a apresentar aos eleitores e não têm amarras partidárias para evitar ''temas espinhosos''.
''Os outros quatro candidatos já se cruzaram no passado político de Londrina. Se avançarem para enfrentar temas como corrupção vão acabar caindo na mesma vala comum. Então focam apenas em si'', opinou Bannwart. Para ele, a ''crise do Ribeiro não é do Ribeiro''. ''É a crise do Barbosa, que já esteve junto com o Belinati, que já esteve com o PT e isso envolve os quatro.'' Em razão disso, concluiu o professor, ''o debate fica vazio e se torna mais um palanque eleitoral''.

mockup