Candidatos jogaram última cartada no debate
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sexta-feira, 25 de outubro de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba A troca de posições na disputa pelo governo do Estado registrada na pesquisa Ibope divulgada no início da semana teve reflexos no comportamento dos candidatos. Após ver Roberto Requião (PMDB) atingir 46% das intenções de voto, Alvaro Dias (PDT) adotou um discurso mais duro no debate de quinta-feira na Rede Paranaense de Comunicação (RPC), afiliada da Globo. Já Requião mostrou-se muito mais calmo que de costume, ao ver Alvaro cair para 42% nas intenções de voto.
O peemedebista não esconde quem foi sua inspiração para o debate. ''Levei no mesmo tom que o Rubens Bueno (PPS) levou o debate do primeiro turno'', comentou Requião ao fim do programa. Não por acaso, o candidato derrotado do PPS foi o escolhido para assessorar Requião dentro do estúdio.
Durante o debate, Requião citou várias vezes que queria ''manter o debate em alto nível e respeitar a família paranaense'' bordões adotados por Bueno que, segundo ele, ajudaram-lhe a conquistar 7% dos votos válidos no primeiro turno. Mas outro aliado também influiu no discurso do peemedebista. As propostas de Requião para uma atuação maior do Estado junto com as igrejas e a promoção da inclusão social foram extraídas do discurso do candidato derrotado do PT, Padre Roque Zimmermann.
Já Alvaro resolveu partir para a ofensiva no debate, chegando mesmo a utilizar uma frase proferida por Requião no final do primeiro turno. ''Manter o alto nível no debate não significa deixar de ser crítico e incisivo. É preciso mostrar quem está dizendo a verdade.'', disse o pedetista.
Para tentar reverter a desvantagem apontada pelo Ibope, Alvaro municiou-se com um arsenal de documentos, levados para o estúdio pelo seu candidato a vice, Luiz Forte Netto (PDT). Entre as acusações lançadas, Alvaro citou a morte do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, durante o governo Requião e um suposto artigo do peemedebista defendendo o pedágio na época em que esteve à frente do Palácio Iguaçu.
A estratégia, entretanto, não teve o peso desejado por Alvaro por um item do regulamento do debate, que proibia a apresentação de documentos. ''Eu posso provar tudo o que falo. Infelizmente, não pude mostrar os documentos''.
Questionado sobre os motivos que o levaram a não divulgar o material coletado antes, Alvaro alegou problemas operacionais. ''Não tivemos tempo. E agora também não teremos condições de apresentar o material'', comentou.


