Os dois candidatos à Prefeitura de Curitiba ‘‘importaram’’ militantes para ajudar na boca-de-urna ontem. Do lado de Cassio Taniguchi (PFL), ônibus vindos do interior do Estado paravam próximos dos locais de votação para desembarcar pessoas vestidas com a camiseta do pefelista. Já Ângelo Vanhoni (PT) recebeu apoio de cidades próximas da Capital e também de Santa Catarina. Todos municípios que apoiaram o petista são de prefeitos eleitos do partido.
A arregimentação dos cabos eleitorais ficou, segundo os comitês dos dois candidatos, a cargo dos prefeitos das cidades de origem de cada militante. O trabalho dos militantes se resumia a vestir as camisetas com os números dos candidatos e ficar o mais próximo dos pontos de votações. Além disso, eles ficavam circulando nas ruas mais movimentadas perto de escolas e pontos de ônibus. Poucos foram os casos de cabos eleitorais pegos com panfletos durante a manhã. Também foi pequena a quantidade de panfletos jogados próximos dos locais de votação.
O vereador Natálio Stica (PT), um dos coordenadores da campanha de Vanhoni, afirmou que o partido trouxe militantes de Blumenau (SC) e Ponta Grossa. ‘‘Os militantes não receberam recursos para participar das eleições, vindo em ônibus ou em carros próprios’’, afirmou. Stica acusou a candidatura adversária de pagar a vinda dos cabos eleitorais do prefeito Cassio Taniguchi. ‘‘Para cada um dos nossos militantes existiam dez de Taniguchi. É preciso dinheiro para trazer essa gente toda aqui’’, afirmou.
A assessoria de imprensa do comitê de Cassio negou que o candidato tenha custeado a vinda dos cabos eleitorais. De acordo com a assessoria, o deputado federal Abelardo Lupion, vice-presidente da executiva estadual do PFL, teria arregimentando prefeitos do interior, para que enviassem os militantes para Curitiba. As caravanas estariam sendo bancadas pelos prefeitos.
Ontem, a Folha flagrou um ônibus vindo de Siqueira Campos (Norte Pioneiro), que trazia cerca de 45 pessoas para participar da campanha. Depois de enfrentar mais de 300 quilômetros, os cabos eleitorais dormiram em um hotel no centro da cidade e desceram em frente ao Colégio Estadual Jaime Canet. ‘‘O bom é que gente recebe R$ 70,00 pelo dia de trabalho e conhece Curitiba’’, afirmou Roberto, que preferiu não dar o sobrenome com medo de ser repreendido.
O ônibus de placa BWI 5730, de Ibaiti, acabou sendo retirado de frente do colégio, depois de uma reclamação de fiscais do PT. Para não ser apreendido pelos policiais, o veículo foi à esquina seguinte onde desembarcaram o restante dos militantes.