A mobilização do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL) na campanha do candidato de seu partido, Farage Kouri, não vai interferir na estratégia dos demais candidatos a prefeito de Londrina. Consultados ontem, os candidatos afirmaram que as irregularidades levantadas pelo Ministério Público (MP) e que culminaram na cassação de Belinati representaram um grande impacto na sua imagem. A atitude do prefeito cassado, que tem participado de comícios em bairros e em assentamentos, é interpretada como necessidade de defesa junto ao seu eleitorado. A volta do prefeito cassado ao palanque, mesmo fora da disputa, foi detalhada anteontem pela Folha.
O candidato peemedebista Luiz Eduardo Cheida afirmou que o fato de Belinati ir aos bairros fazer discurso e pedir votos representa ‘‘sobrevivência política’’. ‘‘Político é como tubarão, se parar de nadar morre’’, comparou. Para Cheida, Belinati é ‘‘candidatíssimo’’ e tentará substituir Farage Kouri durante o processo eleitoral, mas será derrotado em virtude de problemas jurídicos.
Já o pedetista Barbosa Neto acredita que o apoio de Belinati a Farage representa um contra-senso que não se traduz em votos para o candidato pefelista. ‘‘O Farage não representa o segmento em que Belinati sempre teve penetração’’, afirmou. Segundo ele, Farage acaba perdendo porque deixa de reforçar seu nome junto às classes A e B. Barbosa Neto afirmou ainda que o segmento fiel ao prefeito cassado se reduziu bastante por causa das seguidas notícias de irregularidades nesta última administração.
Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), o apoio de Belinati a Farage significa um grande risco para os pefelistas. ‘‘Ele (Farage) pode ganhar algo, mas perde por ter o apoio de alguém nestas condições’’, afirmou Hauly, referindo-se ao fato de o prefeito estar cassado e correr o risco de ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça. O pedido foi formalizado pelo MP, no dia 21 do mês passado. Para o candidato tucano, os problemas judiciais do prefeito cassado trouxeram uma clara consequência política para ele. ‘‘Ele sempre teve uma rejeição alta, que agora mais que dobrou’’, afirmou.
Já o candidato petista Nedson Micheletti acredita que o retorno aos palanques neste momento significa apenas uma tentativa do prefeito cassado em dar satisfação ao eleitorado. ‘‘É mesmo uma defesa. Hoje o Belinati encontra resistência até em bairros, diferente de antes’’, analisou. Para Nedson, a densidade eleitoral de Belinati caiu na medida em foram divulgadas as irregularidades na sua terceira administração.
Farage Kouri disse ontem à noite que está tranquilo e satisfeito com o apoio de Belinati. ‘‘Ele é a grande liderança popular da cidade. Tenho convicção que os demais candidatos gostariam de ter este apoio’’, afirmou ele. Para Farage, o potencial político do prefeito cassado se traduz por obras realizadas em três administrações municipais. ‘‘É um grande trabalho social, um legado que ninguém pode tirar dele’’, analisou.

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