Entre os 30 deputados federais eleitos no Paraná, quatro empregaram em recursos próprios nas campanhas mais do que os R$ 600 mil que receberão de vencimentos nos quatro anos de mandato.
O empresário Alfredo Kaefer (PMDB) foi o que mais gastou recursos do próprio bolso na campanha. Foram R$ 952 mil da conta pessoal, R$ 1.881 milhão doados pela Diplomata S/A, empresa da qual é proprietário, e mais R$ 300 mil da Globoaves Agro Avícola Ltda, de que é sócio, somando R$ 3.133 milhões.
''Tenho uma trajetória de 30 anos de trabalho. Na minha vida toda nunca gastei com nenhuma extravagância, nunca viajei para o exterior a passeio, tenho uma casa modesta, e achei que ao invés de gastar em banalidades, é uma forma de gastar mais útil para a sociedade sendo deputado federal'', declarou Kaefer, que até então nunca havia disputado uma eleição.
O segundo a investir mais recursos próprios na campanha, foi o deputado federal eleito Carlos Massa Júnior (PPS). Ele investiu R$ 970 mil de recursos próprios e outros R$ 970 mil foram doados pelo pai do candidato, o apresentador de TV, Carlos Massa, conhecido como Ratinho.
A Massa e Massa Ltda., e M&M Administração e Participações Ltda., empresas da família, ainda encaminharam R$ 457,7 mil. Juntas, empresas e a família destinaram para a eleição de Ratinho Júnior, R$ 2.397 milhões, o equivalente a 91,4% do total arrecadado.
Rodrigo Rocha Loures (PMDB), também contou com o apoio da família para financiar a candidatura. Além dos R$ 1.132 milhão de recursos próprios, a campanha de Rocha Loures recebeu R$ 1,5 milhão da Nutrimental S/A Indústria e Comércio de Alimentos, que pertence ao seu pai.
O peemedebista Odílio Balbinotti, praticamente financiou sozinho a sua campanha. Dos R$ 1.160 milhão declarados como receita, R$ 1.153 milhão - 99,4% - saíram do bolso do candidato.
O professor de Sociologia da Unifil e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina, Cézar Bueno, apontou duas possibilidades para investimentos pessoais acima dos valores a receber durante o mandato. ''Uma é você trazer a possibilidade da existência dos candidatos filantrópicos, uma pessoa que tem amor pela política. Acho isso pouquíssimo provável. Outro ponto mais provável, é o de relações não externalizadas, porque do ponto de vista da razão seria inadmissível fazer investimento sem retorno'', avaliou. (C.O.)

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