Os candidatos a prefeito de Cascavel, deputados estaduais Edgar Bueno (PDT) e Tiago de Amorim Novaes (PTB), fizeram um debate ‘‘pobre’’ de idéias, na noite de anteontem, na TV Tarobá. Foi o primeiro programa local do gênero nesta eleição. Edgar evitou ser contundente contra o adversário, enquanto Tiago perguntou e respondeu quase sempre lendo texto preparado por sua assessoria. O mediador do programa, jornalista Caio Gotlieb, praticamente não precisou intervir para conter ânimos.
A formatação do debate permitiria confronto de idéias. Os candidatos tiveram inúmeras oportunidades de ‘‘flagrar’’ gafes e erros mútuos, mas isso não aconteceu, por desinformação ou por cautela. Edgar disse que quer dar condições ‘‘para que o cidadão se analfabetize’’; Tiago confundia ‘‘gestão’’ com ‘‘gestação’’, e ‘‘vínculo’’ com ‘‘veículo’’.
Tiago, porém, trouxe à tona um tema, que, pela iniciativa de Edgar, não seria discutido: disse ser acusado por adversários de envolvimento com o crime organizado e apresentou documentos que atestariam sua idoneidade.
Edgar não foi objetivo ao responder sobre seu voto na Assembléia Legislativa (AL) a favor da instituição do pedágio. Questionado por Edgar – que o apontou como ‘‘omisso’’ – sobre sua ausência na votação da antecipação do IPVA, Tiago disse que no dia da votação estava fora, ‘‘cumprindo missão da Assembléia’’, sem explicar qual ‘‘missão’’. Além disso, disse que não participa de algumas sessões porque tem ‘‘muitos compromissos’’, como a distribuição de cadeiras de roda e dentaduras.
Confirmando-se a expectativa, Tiago tentou transmitir a imagem de pessoa ‘‘pacífica’’, ao contrário da agressividade verbal que o caracteriza como apresentador de programa policial. Em alguns momentos do debate, ele parecia um pastor pentecostal. Edgar Bueno, por sua vez, procurou se colocar como político ‘‘ponderado’’ e com mais experiência que o adversário.

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