‘‘Londrina 100% alfabetizada em três anos’’; ‘‘Dois vigilantes em cada bairro’’; ‘‘Aquisição imediata de 50 viaturas’’; ‘‘Dez postos de saúde funcionando 24 horas’’; ‘‘Olho vivo: câmeras de vídeo instaladas nas principais vias de Londrina’’; ‘‘Passe livre para estudantes no dia da minha posse’’. Está aberta a temporada de promessas dos políticos londrinenses que tentam atrair o eleitor com juras em todas as áreas: saúde, educação, segurança, emprego... A lista é infindável, assim como a criatividade.
Promessa, porém, é coisa séria e nem sempre simples de ser realizada, como os políticos tentam demonstrar. A definição de dicionário revela: promessa é ato ou efeito de prometer, coisa prometida, oferta, dávida, compromisso, voto, juramento. Prometer é ‘‘obrigar-se verbalmente ou por escrito a (fazer ou dar alguma coisa), comprometer-se a’’.
Mas será que o eleitor bota fé? Até que ponto o descrédito na classe política influencia na crença das propostas? Em que medida as promessas não cumpridas exercem papel desmotivador? Para a psicóloga clínica de Londrina Maria Zilah Brandão, para apostar na coerência entre falar e fazer, o eleitor deve usar como referencial a história do candidato. ‘‘Falar ou prometer não significa que se vai fazer. É preciso observar se, na história de vida, ele demonstra coerência entre a palavra e a ação’’, orienta.
A psicóloga diz ainda que o fato de o eleitor fazer um acompanhamento da trajetória de vários políticos pode ajudá-lo a discriminar o que pode ser realizado e o que deve ficar só na base da auto-promoção.
Ela explica que promessas despertam desejo e esperança e que por isso exercem impacto sobre a vida das pessoas. Mas admite que houve um desgaste significativo da palavra. ‘‘Antigamente, palavra empenhada valia mais porque havia mais formas de controle. As comunidades menores faziam cobranças na base do tête-à-tête. Hoje os grupos são muito grandes e acabam se dispersando, mas é necessário a comunidade se organizar para arrumar formas de cobrar as promessas’’, recomenda.
A psicóloga observa ainda que o descrédito da comunidade em relação às promessas é resultado da incoerência entre o que se diz e o que se faz. Por isso, ela considera natural o sentimento de frustração que se sente quando algo proposto não é realizado. ‘‘É o descrédito. Assim como a criança desacredita no adulto quando ele promete comprar um brinquedo e não compra, prometer e não realizar gera frustração’’.

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