Candidatos falam sobre desenvolvimento sustentável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A segunda parte da série que a FOLHA publica com os nove candidatos à Prefeitura de Londrina, elaborada a partir de perguntas formuladas por representantes da sociedade civil organizada, a pedido do jornal, aborda hoje as perspectivas do futuro mandatário a respeito do desenvolvimento do comércio, da indústria e do setor de serviços para os próximos anos. A largada foi dada com o advogado Luís Hasegawa, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A questão foi encaminhada pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), o administrador de empresas Marcelo Cassa, empresário do setor varejista no município. Empossado no cargo em junho deste ano, Cassa acompanha o associativismo de perto há pelo menos uma década: é esse o tempo já que tem de trabalho nas diretorias da entidade.
A seguir, confira a pergunta do representante da Acil e as respostas apresentadas pelos nove postulantes ao Executivo municipal.
A economia de Londrina vive um momento positivo, com a atração de investimentos de vários perfis e portes. Ainda assim, falta ao município um planejamento de longo prazo, que extrapole as gestões e dê à cidade uma perspectiva de futuro baseado no desenvolvimento sustentável e na valorização das empresas já existentes. Qual vai ser, na sua gestão, o papel da Prefeitura na construção desse planejamento, considerando que a sociedade vem se organizando com esse intuito?
MARCELO CASSA, empresário
do setor varejista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL)
AMADEU FELIPE (PCB)
O planejamento de desenvolvimento é fundamental, e para fazê-lo, é preciso ouvir os diversos setores da sociedade, e na questão empresarial em Londrina fica muito claro que 74%, 75% das empresas são micro, pequenas e médias empresas, então elas têm que ser valorizadas. Porque o lucro desse setor é reinvestido aqui, diferente da grande empresa que vem de São Paulo, Nova York, Rio de Janeiro, que aqui gasta o mínimo possível e transfere os lucros aos grandes centros. Como em Londrina, se não o maior, a Prefeitura é um dos maiores compradores, na nossa gestão não comprará uma agulha: se isso puder ser produzido aqui em Londrina, e tudo o mais que puder, será comprado aqui.
ANDRÉ VARGAS (PT)
Acredito que precisamos ter um encontro de políticos e de administradores modernos com lideranças empresariais e comerciais modernas. Acho que Londrina se ressente de um grupo empresarial na área da indústria. Creio que a Acil desempenha um belo papel, mas ele é mais comercial que industrial; então, precisamos, nessa perspectiva, fortalecer o Idel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), como tem sido feito, e ter um plano como o prefeito atual desenvolveu, que é atrair novas empresas. Grande parte dessa geração de empregos que está acontecendo é porque as indústrias locais foram incentivadas. Estamos em um bom momento econômico no Brasil e na cidade, tanto que Londrina gera agora mil empregos por mês, na média. Precisamos discutir a questão de longo prazo, o que envolve a qualificação profissional.
ANTONIO BELINATI (PP)
Londrina continua a segunda cidade do Paraná em população, e lamentavelmente nossa riqueza, nossa arrecadação de ICMS perde para Curitiba, como é natural, mas também para Araucária, Foz, São José Pinhais, e, pela última informação que temos, estaria perdendo também para Ponta Grossa. Em termos de recebimento de verba federal, Maringá é a 17ªcidade do Brasil Londrina é a 150ª. Isso mostra que infelizmente nossa economia não apenas está estagnada, como também retrocedendo, o que não é bom para nós, porque o poder público acaba não tendo verba suficiente para desenvolver projetos sociais, culturais, na área de saúde, e o próprio desenvolvimento da cidade. O eleito tem que unir todos os demais parlamentares e fazer não a briga do ódio, de um falar mal do outro, não, mas de todos vestirem a camisa de Londrina.
BARBOSA NETO (PDT)
Vamos implementar a partir do ano que vem, dentro do Idel, um departamento que vai orientar os investimentos na área da indústria, comércio e qualquer outro setor de empreendimento. Não é possível a pessoa investir pelo seu feeling, abrir uma empresa acreditando na sua percepção pessoal. Teremos indicadores, com um levantamento completo de qual é o perfil ideal de investimento para determinado tipo de segmento, onde deve ser instalado, qual a demanda, quais são os gargalos, como isso pode se operacionalizar de forma técnica para orientar justamente esse investidor que coloca seu dinheiro no mercado financeiro, especula e poderia estar gerando emprego, renda e pagando tributos à população. Londrina se destaca lamentavelmente por ser uma das cidades que possuem maior volume de recursos aplicados em bancos, isso é muito ruim, ao contrário do que muita gente pensa. Não é sinal de pujança, mas de descrédito desses empresários em relação à Prefeitura.
LUIZ CARLOS HAULY (PSDB)
Londrina é a segunda cidade do estado em população, já foi a segunda em arrecadação. Hoje é a quinta em arrecadação. Já tivemos 5,5% de todo o ICMS do Paraná, hoje temos 2,87%. E como esse imposto é baseado na indústria, no comércio e na agricultura, temos que ter um trabalho muito grande, e para isso precisamos envolver toda a comunidade, especialmente a Acil, e todas as entidades de classe, em um gigantesco trabalho de planejamento e desenvolvimento industrial e econômico agroindustrial e de serviço. Pretendemos criar mecanismos de estímulo à captação de empresas, pois elas geram muitos empregos também. Assim, poderemos estabelecer projetos para as indústrias que estão aqui no que se refere à ampliação de seus negócios. Nessa captação de novas indústrias, propomos uma ligação chamada de Caminhos da Integração no sentido Norte/Sul - que ligará a avenida Saul Elkind à Ceasa, por trás do Conjunto União da Vitória, industrializando aquela região.
LUIZ EDUARDO CHEIDA (PMDB)
O que temos hoje em termos de planejamento industrial é o que foi feito com o plano de desenvolvimento industrial na minha administração. A Acil teve a idéia e eu a banquei financeiramente, com recursos da Sercomtel. Contratamos uma empresa e, em dois anos de levantamento de dados, ela ouviu as lideranças, as colocou em contato conosco e tivemos o plano de desenvolvimento industrial. Esse plano é o que deu origem ao Londrina Convention and Visitors Bureau, plano que até hoje é executado. Além disso fiz também a Lei de Incentivo Industrial, fui um dos fundadores da Adetec, fiz a primeira incubadora industrial de Londrina... Enfim, alguém que teve tais preocupações nesse momento que Londrina se consolida economicamente, é claro que vai fazer muito mais do que isso. Pretendo dar continuidade a esse progresso de Londrina sempre junto com as lideranças populares, empresariais, de forma técnica e cientificamente estudada.
MARCELO URBANEJA (PTdoB)
Londrina vive um momento positivo, o qual temos que entender com uma certa cautela isso passou pelas conjunturas estadual e federal. Londrina perdeu a sua capacidade de atração de empresas. Temos uma empresa pública aqui, o Idel, que tem objetivo e ferramentas de atraí-las, mas as denúncias contra a Câmara vêm mostrando que está acontecendo. Ou seja: o empresário, o industrial fugiu de Londrina porque quando chega aqui tem que passar por um balcão de negócios onde ele é extorquido. Precisamos mandar um recado aos empresários e aos industriais da cidade: Londrina mudou, tem um novo prefeito, sem vivência política no Legislativo, nunca participou do Executivo como prefeito, mas é professor e entende da administração municipal. A questão da descontinuidade de governo existe há muitos anos isso começou com Getúlio Vargas, quando ele criou o cargo político, hoje chamado cargo comissionado. O prefeito entra e traz consigo uma orda grande de pessoas, muitas sem experiência. Existe um choque grande nessa situação, e as pessoas misturam o bem público com o bem privado, e dá no que deu: uma Câmara anestesiada, inoperante.
MARCOS COLLI (PV)
Ele está falando exatamente a nossa língua, quando fala da valorização de empresas já existente. Londrina não precisa continuar crescendo territorialmente: precisa desenvolver quem já está aqui, precisa dar valor a quem já está aqui, alguns vivendo momentos positivos, porém, o Cassa está sendo otimista, na minha avaliação. A realidade de Londrina não está tão positiva assim. A troca de função da cidade de Londrina, que já foi capital mundial do café, de repente mudou para prestação de serviço. Isso é uma falácia, está empobrecendo a cidade e fazendo com que exista um cordão de pobreza de mão-de-obra desqualificada, que não consegue emprego. Ficar atraindo indústria para cá a esmo não dá, porque essas pessoas vêm, não produzem tantos postos de trabalho, se vier com mão-de-obra qualificada não vai conseguir colocar as pessoas de que precisam, e o que movimenta o comércio na cidade é renda, as pessoas precisam ter renda, senão, não tem comércio. Vamos dar toda a importância aos empresários que estiverem aqui, com os incentivos que tivermos para oferecer para dêem oportunidade aos londrinenses.
VÍLSON MACHADO (PSol)
É claro que a Prefeitura tem que ter política de incentivo a todo o empresariado. Porém, ela trabalha com dinheiro público, e não podemos dar dinheiro público a empresário temos que partir dessa lógica; não é investindo esse recurso na iniciativa privada para que alguém lucre com isso. O que pretendemos com a geração de emprego e economia sustentável: estabelecer grandes convênios com o Governo Federal e o BNDES, e desenvolver o projeto cooperativo. Londrina tem se caracterizado como uma cidade de prestação de serviço, e temos que inverter essa lógica: é possível implementar pequenas indústrias nas periferias a partir do cooperativismo, e nos mais diversos setores. O empresariado tem que mudar um pouco a lógica do lucro pelo lucro. Se esse lucro existe, é porque a economia gira então, teria de haver também a distribuição dos lucros.


