Candidatos exageram nas promessas
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segunda-feira, 02 de setembro de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Para conquistar o voto do eleitor em 6 de outubro vale tudo. Ou quase tudo. Os dois principais candidatos ao governo do Estado anunciam propostas, senão impossíveis de serem concretizadas, no mínimo bastante ambiciosas. O horário eleitoral gratuito está recheado de propostas cuja realização futura está sendo questionada pelos próprios eleitores.
O fim do pedágio, pregado pelo candidato do PMDB, senador Roberto Requião, está sendo visto com desconfiança pelos eleitores, além de ser alvo de dúvida por parte de advogados. Já a geração de empregos projetada pelo senador Alvaro Dias (PDT), foi questionada por economista ouvido pela Folha. O pedetista promete criar 520 mil empregos diretos e indiretos no Paraná, em quatro anos.
Para ser ter uma idéia, em quase oito anos de governo Jaime Lerner (PFL) foram criados, de acordo com informações do Palácio Iguaçu, 155 mil empregos diretos e 550 mil indiretos. Ou seja, a meta de Alvaro é fazer praticamente o mesmo, mas na metade do tempo. Se considerados dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a promessa de Alvaro fica ainda mais difícil. O Dieese informa que o Paraná gerou 70 mil ocupações (conceito mais amplo que empregos) de 1995 a 1999 (gestão Lerner).
Segundo Alvaro, o dinheiro para reverter o desemprego virá do orçamento estadual, dos municípios, repasses e investimentos federais, além de financiamentos. ''Esse objetivo pode ser atingido somente se o panorama econômico mudar'', avaliou um economista que preferiu não se identificar.
A ousadia dos candidatos se estende à alimentação. O fornecimento de leite a crianças em idade escolar virou cabo-de-guerra entre Alvaro e Requião. O peemedebista começou prometendo um litro de leite por dia para cada criança de família com renda per capita inferior a R$ 80,00 mensais. Ela receberia leite até entrar na escola e receba merenda.
Já o pedetista anunciou que vai dar dois quilos de leite em pó todo mês para alunos da rede pública. Os economistas consultados pela reportagem considerarem o fornecimento de leite de baixo custo, mas para viabilizá-lo, eles apontaram a possível necessidade de se cancelar programas em outras áreas.
A entrega de leite terá que ser feita para mais de 1,8 milhão de crianças. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Paraná 886.273 crianças de zero a quatro anos e 924.411 de cinco a nove anos.
As projeções de construção de casas populares prometidas por Alvaro e Requião foram vistas como irreais pela equipe do atual governo. Requião promete fazer 200 mil casas em quatro anos. Na sua gestão como governador, de 1991 a 1994, porém, ergueu cerca de 50 mil casas. Alvaro quer fazer em torno de 100 mil casas. Quando foi governador (1987-1990), construiu 54 mil unidades. Em quase oito anos, Lerner fez 63 mil casas populares, segundo dados oficiais.
Também é audaciosa a promessa de primeiro emprego. Requião propõe que toda a empresa que contratar jovens de 16 a 18 anos, por um ano, vai pagar a eles apenas o salário líquido. As obrigações trabalhistas ficam por conta do Estado.


