Candidatos evitam contratação para campanha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Apesar de autorizada desde o dia 6 de julho, a campanha eleitoral ainda não ganhou as ruas em Londrina. Os candidatos alegam falta de recursos financeiros para não contratar cabos eleitorais, optando por trabalhar com voluntários. Os poucos cabos eleitorais já contratados aparecem no Calçadão. Todas as coligações destacam que a procura pelo serviço está disputada.
Uma jovem que atua como cabo eleitoral, que preferiu não se identificar, tem 21 anos e está trabalhando para o PTB de segunda a sábado das 8 às 18 horas. ''No mesmo dia que eu entrei começaram 40 pessoas e depois entraram mais 60'', revelou. Ela detalhou que recebe R$ 280, vale-transporte e almoço. ''Foi feito contrato e vão ser recolhidos todos os impostos'', acrescentou.
O porteiro desempregado Jorge Santos, 54 anos, disse que está trabalhando para um candidato a prefeito. ''Sou voluntário e tenho ajuda de custo'', detalhou. Questionado sobre quanto receberia, ele discriminou que um salário mínimo mais vale transporte.
Na barraca do PMDB montada esta semana no Calçadão central, voluntários distribuíam material gráfico. Uma delas, de 27 anos, declarou que trabalha como assessora de um vereador. ''Agora estou ajudando também na campanha para a candidata a prefeita'', detalhou. Outra voluntária, telefonista, 34 anos, argumentou que já trabalha para o mesmo vereador há 17 anos.
No comitê do PSDB esta semana era grande a procura por trabalho. A informação era que, só no primeiro dia de funcionamento, mais de 30 pessoas teriam passado por lá. Todos preencheram um cadastro sem garantias de contratação. O coordenador de campanha do partido, Amauri Scudero, detalhou que não estão previstas contratações. ''Vamos contar com voluntários e os vereadores têm as equipes deles que a gente aproveita'', explicou. A estudante Fernanda Fernandes, 21 anos, estava interessada em trabalhar como voluntária. ''Acho válido porque tenho interesse, não financeiro, mas na esfera do poder. Acredito na social-democracia e gostaria que mudasse o poder'', justificou.
De acordo com o coordenador de campanha do PT, Jacks Dias, o partido também não fará contratações de cabos eleitorais. ''O PT tem muitos voluntários e não tem necessidade de contratar'', ponderou. O candidato do PTB, Alex Canziani, observou que poucas pessoas foram contratadas. ''Se vamos contratar mais, vai depender do clímax da cidade. Ainda não estamos vendo gente nas ruas'', argumentou. ''Não estamos contratando por falta de dinheiro'', disse Glaucia Gabelinim, integrante da coordenação de campanha do PDT.
Elza Correia (PMDB), Félix Ribeiro (PMN) e Pastor Góis, que coordena a campanha do PSL, também informaram que não pretendem contratar pessoas para trabalhar nas ruas. ''A procura é enorme poque o desemprego está grande mas estamos trabalhando com voluntários'', disse Elza. Félix vai concentrar a campanha nos programas de TV e rádio. ''No decorrer de agosto e início de setembro é que vamos programar a contratação na medida que tivermos recursos suficientes'', destacou. O Pastor foi direto: ''Não contratamos e nem pretendemos contratar''.


