Candidatos estão mais ricos que em 94
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quinta-feira, 23 de julho de 1998
Leandro Donatti 
Os principais candidatos majoritários desta eleição, o ex-governador Álvaro Dias (PSDB), o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Roberto Requião (PMDB) estão mais ricos que na disputa eleitoral de 94. Álvaro duplicou o seu patrimônio, que era aproximadamente de R$ 2,2 milhões, para R$ 4,1 milhões. Lerner engrossou a lista de seus bens e só se manteve na faixa do R$ 1,3 milhão na declaração entregue à Justiça Eleitoral porque deixou de avaliar dois de seus imóveis, que em 94 valiam juntos algo em torno de R$ 100 mil atualizados. Requião declarou R$ 330 mil de patrimônio, na eleição passada, e agora, R$ 416,1 mil.
A relação completa dos bens dos candidatos está no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A evolução patrimonial foi feita pela Folha comparando os bens declarados pelos candidatos na eleição passada com a de 98. O candidato do PSDB ao Senado, Álvaro Dias, fez a maior parte de seus investimentos em 96. Ele adquiriu mais alqueires para sua fazenda em Porecatu. A avaliação apresentada pelo tucano revela que a área de terra valorizou de R$ 311,5 mil para R$ 456,5 mil.
Álvaro comprou ainda lotes no bairro Boqueirão, em Curitiba, cujo valor é de cerca de R$ 100 mil. Em 96, o ex-governador comprou outra área de terra da empresa Farfalha Tintas, avaliada em R$ 46 mil. E um automóvel Golf, avaliado em R$ 20 mil. A propriedade mais valiosa de Álvaro continua sendo a fazenda Alvorada, situada em Maringá, doada pelo pai do candidato em 66 e que hoje vale aproximadamente R$ 2,8 milhões.
A relação de bens do governador Jaime Lerner é constituída na sua maior parte de imóveis. Cerca de R$ 715 mil são só em apartamentos. A última aquisição feita pelo governador, e que consta na relação do TRE, é um apartamento ainda em construção - Maison Royale - que custa R$ 173,1 mil. Lerner informou ao TRE que a compra está sendo feita a prestação. Ele já teria cogitado mudar-se para o imóvel, vizinho da sua casa, no bairro Cabral, em Curitiba.
Um anel adquirido num leilão da Caixa Econômica Federal (CEF), avaliado em R$ 5,5 mil, também foi registrado pelo governador na sua evolução patrimonial. Diferente da eleição de 94, nesta o governador tem à sua disposição uma poupança no Banestado de R$ 21,2 mil, aplicações de R$ 5,7 mil e outros R$ 60 mil em moeda corrente. Pequenos investimentos em ações foram feitos pelo governador neste período, junto à Telepar, Usiba S.A, Companhia Paranaense de Alimentação, Banco da Amazônia; Embraer e Edisa.
O candidato do PMDB ao Palácio Iguaçu, senador Roberto Requião, empregou depois da eleição de 94 R$ 40 mil na compra em sociedade de um apartamento em Curitiba. O aumento de seu patrimônio também pode ser verificado na declaração entregue à Justiça Eleitoral quando o assunto são obras de arte. Na eleição passada, Requião declarou R$ 500,00 em quadros e esculturas. Neste ano, cerca de R$ 10 mil. Uma linha telefônica, de R$ 3 mil, também foi acrescida na declaração deste ano.
O senador comprou no ano passado um Jeep Wrangler, Chrysler, avaliado em R$ 40 mil. Mas manteve como bens um automóvel Santana 89, outro 91 e um Passat Volks 86, avaliados pelos contadores de Requião em R$ 50 mil. Não é só o governador Jaime Lerner que tem poupança. Requião mantém R$ 452,00 depositados no Banestado e R$ 90 mil numa conta corrente no Banco do Brasil, em Curitiba.
Ao expor os bens dos candidatos, a Legislação Eleitoral acaba com o antigo artifício de candidatos que desafiavam os opositores a demonstrar seus patrimônios.


